ENCONTROS DE ARTE EDUCAÇÃO - FEVEREIRO

ENCONTROS DE ARTE EDUCAÇÃO

"NARRATIVAS LÚDICAS DA INFÂNCIA - A música e o ritmo, O corpo e a dança, A escuta e o brincar"

EM BREVE!!!

EDUCADORES, PAIS, ARTISTAS, ESTUDANTES E TODOS OS INTERESSADOS EM ARTE, EDUCAÇÃO E LUDICIDADE ESTÃO CONVIDADOS!


Abordando a importância do reconhecimento do brincar como linguagem própria e fundamental da criança e meio por excelência para a construção de conhecimentos sobre si, sobre a relação com o outro e as coisas do mundo. Serão apresentadas aos participantes as contribuições da brincadeira para o desenvolvimento integral, bem como questões presentes na sociedade contemporânea que impedem a concretização de uma infância plena e permeada pela ludicidade.

Para mais informações acesse: www.ateliegiramundo.com ou envie uma mensagem para contato@ateliegiramundo.com

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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A antiga arte de contar histórias


Imagem: Internet




Nada concentra mais a mente do que a certeza de que se vai ser executado na manhã seguinte.


Talvez não seja coisa de genoma, mas podemos garantir que contar e ouvir histórias são coisas que fazem parte da natureza humana. Histórias, em primeiro lugar, representam um antídoto contra a ansiedade em nós despertada pelas interrogações que todas as culturas se fazem sobre o universo e sobre a existência. Para os povos ditos primitivos, fenômenos naturais como a aurora, o crepúsculo, as chuvas (sem falar em catástrofes) envolvem um elemento de mistério para o qual o mito é a resposta. Mito: na linguagem comum, o termo tem uma conotação que às vezes envolve fama e mistério (o mito Greta Garbo é um exemplo ilustrativo), mas, mais freqüentemente, significa mentira, lorota; aliás, mitômano é um mentiroso contumaz. Já os estudiosos do mito, que incluem nomes como os de Ernest Cassirer, Frazer, Durkheim, Lévi-Strauss, vêem-no de forma diferente e muito mais significativa. O mito é uma narrativa ficcional, sim, freqüentemente envolvendo personagens sobrenaturais, mas que, sendo estória, é vista como História, como algo que realmente aconteceu num passado distante (in illo tempore) e que proporciona uma explicação para os fenômenos do universo em que vivemos: o mito, disse Malinovski, é um equivalente da ciência. Já Freud chamou a atenção para a semelhança entre mito e sonho, e Jung postulou que os mitos ficam embutidos no inconsciente coletivo: passam assim de geração em geração, muitas vezes associados a rituais de caráter religioso, sagrado. Nesse sentido, o mito é diferente da história folclórica, da qual a fábula é um exemplo. Mito também não é lenda, que tende a preservar uma figura do passado (um santo, um herói, um rei), um lugar, um acontecimento. Mas mitos, histórias folclóricas, lendas – a ficção em geral  – dão testemunho dessa paixão humana pela narrativa.

Falamos antes na ansiedade em relação ao universo, mas essa é apenas uma das formas de nossa ansiedade. Existem outras, como a ansiedade da separação, que tem seu início por volta dos seis meses e que se manifesta por uma reação de angústia quando a criança tem de se separar dos pais, sobretudo da mãe. Essas crianças não conseguem permanecer em um quarto sozinhas e seguem os pais por toda parte. O quadro desaparece em torno dos três anos, mas pode retornar à época de entrar na escola e acompanhar o adulto pela vida toda.

A ansiedade de separação manifesta-se sob forma de uma cena típica. É de noite; a família já jantou, já viu um pouco de tevê. É então que o pai ou a mãe volta-se para a criança com o anúncio fatídico: está na hora de ir para cama. No passado, a própria tevê encarregava-se disso por meio de um anúncio dos cobertores (claro) Parahyba. Aparecia uma criança de camisola, segurando uma vela acesa, enquanto se ouvia uma música de fundo: “Tá na hora de dormir/ não espere papai, mamãe mandar./ Um bom sono pra você/ e um alegre despertar.”.

Com ou sem anúncio, com ou sem pedagogia, está para nascer a criança que receba com alegria essa notícia, que diga algo como: “Oba, finalmente chegou a hora de dormir.”. E isso pela simples razão de que a criança será afastada dos pais e dos irmãos, terá de ir para o seu quarto e deitar na cama; a luz se apagará e ali estará o menino ou a menina, no escuro, tendo de atravessar o limiar que separa o conhecido e gratificante mundo da vigília do mundo dos sonhos, que pode ser também, e freqüentemente o é, o mundo dos pesadelos – sem falar no terror noturno, penosa situação em que a criança acorda gritando e num estado de extrema agitação motora.

Mas todo pai e toda mãe sabem que existe um antídoto para a recusa da criança: “Se você for deitar agora, eu lhe conto uma história.”. É uma proposta irrecusável. Detalhe: se em vez de contar a história a mãe ou o pai ler a história, podemos ter certeza de que naquele momento estará nascendo um futuro leitor ou leitora.

Há duas razões para que a criança se sinta confortada nessa situação. A primeira é a presença “reasseguradora”, e a voz, do pai ou da mãe. A segunda é a própria história. Histórias nos dão, senão a certeza, pelo menos a sensação de que as coisas no mundo fazem sentido, que elas têm um começo, um meio e um final – geralmente um final feliz. Aliás, para a criança, é mais importante o começo da narrativa, o clássico e excitante “era uma vez” do que o “e aí viveram felizes para sempre”. O final tradicional é mais ou menos previsível – e isso explica por que, no cinema, muitas pessoas levantam antes de o filme acabar. Pela mesma razão a criança não raro adormece antes do final da narrativa.

E isso tudo nos leva às Mil e uma noites, essa coletânea maravilhosa que, originária de narrativas do Irã, Afeganistão, Usbequistão (denominações modernas para regiões antes distantes e misteriosas), atravessou os séculos e chegou até nós por meio de numerosas traduções para línguas européias, a primeira das quais feita no século 18 por um abade francês. A mais citada, porém, é a gigantesca (16 volumes) versão de Sir Richard Burton, do século 19.

O início, e o elo condutor da obra, são bem conhecidos. Enfurecido pela infidelidade de sua esposa, o rei Shahriyar (ou Schriyar) manda matá-la e, convencido de que todas as mulheres são pérfidas, ordena a seu vizir que lhe traga uma esposa nova a cada noite. Casamentos relâmpagos, porque as coitadas são executadas ao amanhecer. Entra em cena a própria filha do vizir, a astuta Shahrazad ou Scheherazade, que se voluntariza para o matrimônio. É que ela tem um plano: mantém o soberano em suspense com suas histórias, com o que vai adiando sua execução. No final, e depois de dar à luz a três filhos, o rei fica convencido de sua inocência.

O tema das histórias varia amplamente, incluindo narrativas históricas (o califa Harun al-Rashid é um personagem freqüente), burlescas ou religiosas. Algumas, como as de Ali Babá, Aladim e Sindbad, adquiriram existência própria. Não raro um personagem conta uma história, que pode ter outra dentro dela, como aquelas bonecas russas, o que torna o conjunto ainda mais complexo e fascinante.

As histórias das Mil e uma noites começaram a ser coletadas por volta do ano 1000. O que explica seu sucesso ainda hoje, um milênio depois?
Em primeiro lugar, as próprias histórias, sempre interessantes. Mas há um elemento adicional e muito importante: Scheherazade é a precursora de algo que, sob várias formas, representaria um sucesso crescente: a narrativa seriada.

O primeiro impulso para isso foi a invenção da imprensa, que permitiu a existência do livro, do jornal, da revista – do periódico, enfim. E o periódico, por sua vez, permitiu a serialização da ficção, que chegou a seu auge no século 19, durante o qual muitos escritores populares ganhavam a vida, e às vezes faziam fortuna, escrevendo para jornais, revistas ou fascículos. Muitas das novelas de Charles Dickens foram publicadas dessa maneira. Os fascículos, impressos em Londres, eram enviados através do oceano para os Estados Unidos. Quando chegava o navio trazendo tais fascículos, multidões acorriam ao porto: gente ansiosa por saber o que tinha acontecido com a Pequena Nell. Do mesmo modo as histórias de Sherlock Holmes foram originalmente criadas por Arthur Conan Doyle para serem publicadas em série na revista The Strand. Na França, Eugène Sue era muito popular, e seu trabalho foi analisado por ninguém menos do que Karl Marx. No Brasil, o gênero recebeu a denominação de folhetim e atraiu escritores do porte de um José de Alencar. O Guarani estreou assim, coisa que é fácil de perceber na leitura do livro: os capítulos são relativamente curtos, têm aproximadamente a mesma extensão e sempre terminam com um suspense cujo evidente objetivo era fazer o leitor correr à banca no dia seguinte para acompanhar as aventuras de Peri.

O cinema aproveitou a mesma fórmula nos chamados “seriados”, filmes de aventuras, em geral de reduzido orçamento e que contavam sempre com três personagens: o mocinho, a mocinha e o bandido. O malvado bandido estava colocando o mocinho ou a mocinha ou ambos em situações de perigo – a mais clássica sendo aquela que mostra a heroína amarrada aos trilhos da ferrovia e retorcendo-se desesperada enquanto o trem se aproxima a toda a velocidade (no derradeiro segundo, o mocinho a salva). O seriado em geral tinha quinze capítulos; cada capítulo era exibido na matinê de domingo, junto com os dois filmes principais e desenhos. Exemplos famosos são Os perigos de Nyoka e As aventuras de Flash Gordon. Heróis das revistas em quadrinhos, como Super-Homem, Batman e Capitão América, também chegaram às telas em seriados. A propósito, programas radiofônicos com esses e outros heróis (no Brasil, o Sombra e o Vingador eram muito populares) tinham grande audiência.

Mas foi com a tevê que a serialização chegou a seu auge. E a forma mais popular são as novelas, conhecidas nos Estados Unidos como soap operas, porque várias eram patrocinadas por empresas produtoras de sabonete, caso da Colgate-Palmolive e da  Procter & Gamble. Essa forma televisiva atingiu o auge em 1978, quando a CBS levou ao ar Dallas, que projetou Larry Hagman e que adicionou à trama o elemento de mistério: quem matou J.R.?, era a pergunta que todos os americanos se faziam. Seguiu-se uma contrapartida brasileira: a morte de Odete Roitman era o grande mistério da novela Vale Tudo, de Gilberto Braga, exibida entre 1988 e 1989, com enorme sucesso: na noite de 6 de janeiro de 1989, em que o segredo foi finalmente desfeito, o Ibope registrou que 86% dos televisores ligados no país estavam sintonizados na Globo. Mas o gênero não era novo no Brasil. Uma das primeiras novelas a fazer sucesso era ambientada, como as Mil e uma noites, no misterioso Oriente: era O Sheik de Agadir (1966), de Gloria Magadan.  De início, predominava nas novelas um clima romântico, fantasioso e ingênuo, mas aos poucos as produções, cada vez mais cuidadas, começaram a refletir as inquietações da classe média brasileira, que forma o grande público das novelas. Paralelamente a estas, e dirigidas a uma audiência mais restrita, surgiam as séries televisivas, várias delas inspiradas em clássicos da literatura, como Os Maias, de Eça de Queirós.

Conclusão: as Mil e uma noites fizeram escola. Tivesse nascido no Brasil de agora, Scheherazade arranjaria fácil um emprego como escritora de novelas, ganhando um bom salário. Dúvida: poderia ela prescindir da ameaça do ciumento sultão? Talvez sim, mas nesse caso a pergunta se impõe: de onde tiraria inspiração para suas histórias? Disse Samuel Johnson, intelectual inglês do século 18, que nada concentra mais a mente do que a certeza de que se vai ser executado na manhã seguinte. A bela Scheherazade é uma prova disso.






Autor: Moacyr Scliar - escritor, autor de mais de 30 obras nos mais diferentes gêneros. Dentre seus trabalhos, estão A mulher que escreveu a Bíblia e Saturno nos trópicos (ed. Companhia das Letras).

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Importância dos Brinquedos Pedagógicos feitos de Sucata


Imagem: Ziraldo



A relevância da Educação Infantil nos dias atuais é tamanha que é possivel ver de forma significativa a evolução da visão social sobre a criança, as preocupações, assim como leis que amparam e dão direitos a elas. Hoje, há um estímulo precoce para aprendizagem, visando o futuro e o desenvolvimento das capacidades motoras, psicológicas, afetivas e, principalmente, o relacionamento social, considerando a educação escolar como ponte para a formação da criança. E quando acrescentamos o ensino com conscientização, preservação, o aprendizado fica mais completo, como brincar com brinquedos reciclados, uma forma diverdita de orientar.

Educação Infantil e a Importância do Brincar

Outrora na Idade Média a criança não era vista com olhos diferentes, como alguém que precisasse de um cuidado especial ou de uma educação específica, era tratada igual aos adultos, só lhe faltava ainda o treinamento para as atividades necessárias para sobrevivência. Dessa forma, eram consideradas como uma subclasse que amadureceria e tornaria-se um ser "racional".
Já na Idade Mordena, há atenção e cuidados específicos para criança, que foram percebidos ser diferente dos adultos. No seculo XIX, registros nos mostram Friedrich Froebel, que viveu de 1782 a 1852 e foi um fundador dos primeiros modelos de instituição para educação infantil, utilizava jogos e brincadeiras no aprendizado.
Froebel defendia ainda que, quanto mais ativa é a mente da criança, mais ela é receptiva a novos conhecimentos. Assim, considerando os sentidos da criança, o contato que ela cria com o mundo, respeitando os estágios de capacidade de aprendizado e suas características específicas, é que deve ser o ponto de partida para o ensino. (FERRARI 2008)
Mas, somente em 1988 quando houve a Constiuição da República, começou-se a tratar a educação com importância,  dando o direito a criança de tê-la. Incumbiu-se o governo de garantir esse direito. Em 1990, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolecente) reafirmou esses direitos constitucionais em relação à Educação Infantil. Quatro anos depois, o MEC (Ministério da Educação e Cultura) publicou um documento para expansão de vagas e melhorias de atendimento, ressaltando a necessidade da qualificação do profissional e uma formação para atender a Educação Infantil.
A Educação Infantil tornou se responsabilidade de Municipio, na rede pública de ensino, oferecido também pela iniciativa privada, sob a supervisão do sistema municipal de ensino. Saliento que não é obrigatoriedade o Município oferecer a Educação Infantil. Cabe ao município através de um estudo oferecê-lo.
Vemos a relevância da Educação Infantil crescendo com passar dos tempos, o que tem acarretado em crianças melhores em todos os aspectos. Umas das características, dentre muitas, é o brincar acompanhando o crescimento dessa educação diferenciada da pré-escola. Assim, também temos estudiosos que ressaltam que a importancia do brincar na formação educacional é de significado tão grande para criança como trabalhar para um adulto, isso a faz feliz e a torna mais propensa a ter uma pesonalidade bondosa e amável.

Brincar

Piaget diz que a criança exploradora, construindo seu conhecimento, dando enfasê na inter-relação do ambiente com o individuo, compreende a utilidade e funcionamento das estruturas do mundo.
Vygotsky aponta o brincar na primeira infância um meio para o desenvolvimento psicológico e sócio-cultural da criança, sendo fundamental pelo fato de poder criar situações diversas, de forma que imaginaria aquilo que passaria despercebido pela criança na brincadeira se torna regra.
Wallon defende o brincar e o brinquedo juntos como uma forma de estruturação do Eu da criança. Esse é um meio que possibilita a construção da personalidade. Quando se tem um espaço organizado para isso e a disponabilidade desse material, isso fundamentaria a fluidez das emoções e pensamentos, dando-lhe mais conhecimento para se desenvolver uma pessoa completa.
Brincar nos mostra a importância de se movimentar, pois através disso nos relacionamos com os outros, meio ambiente, aprendemos mais sobre nós, limites, capacidades e solucionar problemas. Ainda encontramos pessoas que não desenvolveram as habilidades básicas, prejudicando assim seu desenvolvimento posterior. Por isso, a importância da atividade física, principalmente nas séries iniciais, como em todas as séries. Essa sociabilidade nos remete a uma caracteristica que é pecebida: a participação das atividades apenas por prazer, sem espera de recompensa ou castigo, assim, brincando, a criança busca um sentido para vida.

Brincar com Brinquedos Reciclados

Todo brinquedo confeccionado com material reciclável tende a dispertar nas crianças novos interesses, desenvolve grandiosamente a criatividade, mostrando as possibilidades de transformar objetos e também a destreza manual na confecção dos brinquedos. Pode ser em grupo, ensinando a interação social e a dividir o espaço. Essa atividade é recebida com muita euforia nas aulas, há muitas possibilidades para criação, as cores, formas, objetos, fazendo a criatividade se desenvolver mais ainda.
Agora imaginemos todo esse aprendizado, junto com conscientização de meio ambiente, já que nos dias de hoje se fala tanto em qualidade de vida, sustentabilidade.
Existem inúmeras possibilidades de práticas pedagógicas para se realizar isso dentro de sala de aula. Imaginemos projetos e trabalhos escolares que podemos fazer nas datas comemorativas, como semana do Meio Ambiente, dia da árvore ou dia da água. Enfim, acredito que daríamos, além de ensino, também a conscientização.
Brincar com brinquedo reciclado não é apenas lazer, estimulação da criatividade ou outros aspectos relevantes na criança, ou ainda um bom gerenciamento do lixo. Quero abordar esse assunto como algo mais complexo, pois ao ter essa prática exercemos uma ação direta no meio ambiente e, consequentemente, na economia, no comportamento humano e na cultura de nosso país, que ainda não tem a prática habitual da reciclagem. Estamos orientando e conscientizando para a Educação Ambiental e os resultados serão grandes, pois haverá mudança nos valores e comportamento das crianças, como alunos e pessoas em sociedade.

Por que reciclar?

Hoje, vivemos um crescimento populacional muito grande. Com isso, crescem as indústrias e a  quantidade de residuos orgânicos e inorgânicos. Dados de pesquisas nos mostram que, desde 1980, a produção desses resíduos tem aumentado consideravelmente. Para ter uma pequena noção, a produção de lixo por dia de uma pessoa é aproximadamente de 5 kg. Imagine isso em nível mundial. Só no Brasil, produzimos 240.000 toneladas por dia, incluindo todo tipo de lixo doméstico, tecnológicos, radioativos, hospitalar, agrícola, industrial. Por isso, a reciclagem, que significa transformar resíduos já utilizados em novos produtos, tem sido uma das soluções para uma vida sustentável.

Importância da reciclagem

Entendamos que, quando reciclamos, além de preservar o meio ambiente e gerar riquezas materiais com os produtos reciclados (vidro, papel, plástico, alumínio...), contribuímos para a diminuição da poluição de solo, ar e água. Essa relevância se abrange a outros segmentos do nosso dia a dia, que nos atingem de forma direta e indireta, como a economia, saúde, entre outros.

Os benefícios da reciclagem para sociedade

A sociedade tem sido umas das mais benificiadas com o trabalho da reciclagem. Hoje, muitas empresas estão adotando o processo de reciclagem para reduzir de forma significativa os custo da produção, visando menos poluição para o meio ambiente principalmente para as metrópoles. Estão sendo gerados muitos empregos através deste trabalho. Cooperativas estão sendo criadas e dando oportunidade e renda para muitas famílias carentes.
Hoje, esta orientação está nas escolas. Muitas crianças, adolencentes e jovens, são orientados a separar seu lixo dentro de casa, sabendo que existe a reciclagem para todo tipo de lixo, principamente os eletrônicos. Há empresas que adotaram certas medidas que podem ser tomadas como exemplo. Quando uma pessoa vai comprar uma pilha ou qualquer tipo de bateria, se pede para que leve as que ele não usa mais e sejam encaminhadas para os centros de reciclagem.
Se todos soubermos como utilizamos os recursos que temos, seja orgânico ou inorgânico, com consciência em breve teremos um mundo mais limpo, sustentável e mais desenvolvido. É nesse caminho que poderemos alcançar o tão sonhado desenvolvimento sustentável do planeta.

Escola, familia e os cuidados com o meio ambiente

A educação ambiental nasceu para dar consciência ecológica ao ser humano. Essa educação na familia e escola estão totalmente ligadas como um ciclo completo, precisam andar em conjunto para funcionar. São as fonte de aprendizado das primeiras idades, pois devem iniciar esse ensinamento. A criança precisa ser orientada a preservar a natureza no seio familiar e na escola, isso nos mostra o quão importante é que a familia tenha uma base de conhecimento prévio para passar. E na escola principalmente, pois é onde nascem os formadores de ideias.
Segundo Munhoz (2004), uma das formas de levar educação ambiental à comunidade é pela ação direta do professor na sala de aula e em atividades extracurriculares.  Através de atividades como leitura, trabalhos escolares, pesquisas e debates, os alunos poderão entender os problemas que afetam a comunidade onde vivem; levados a refletir e criticar as ações de desrespeito à ecologia, a essa riqueza que é patrimônio do planeta, e, de todos os que nele se encontram. E ainda diz: Os professores são a peça fundamental no processo de conscientização da sociedade dos problemas ambientais, pois, buscarão desenvolver em seus alunos hábitos e atitudes sadias de conservação ambiental e respeito à natureza, transformando-os em cidadãos conscientes e comprometidos com o futuro do país.
Esse laço tende a se fortalecer mais para que obtenha sucesso na orientação ambiental pedagógica, lembrando que estamos visando um futuro não distante. É preciso agirmos com consciência.

Considerações finais

Como futuros docentes, temos que estar atentos a todos esses assuntos que nos englobam no dia a dia, ter o respeito pela criança de hoje e vê-la como o futuro do amanhã, pois hoje estamos nos tornando os formadores de ideias, comportamento e atitudes.
Saber que uma criança precisa viver suas fases, que está buscando um sentido para vida e nós seremos seu norteadores, mais uma vez me mostra a relevância que temos na sociedade, professores e futuros professores.
Quando associamos essa educação com sustentabilidade, é mais um desafio que temos de transpor. Ajudar a mudar uma cultura onde não há hábitos saudáveis nem para nós nem a natureza, pelo menos a mim isso me inspira a buscar ser o melhor, não apenas para mim, mas também para aqueles que irão aprender comigo. De certo modo, já sabemos o que fazer, agora nos basta agir. 

 

Referencia Bibliográficas

ANTUNES, C. Educação Infantil Prioridade imprescindível. Petrópolis: Vozes 2004
Cria Revista da Educação Infantil (Revista). Ano 1. Numero 2 Março/Abril/Maio.
FERRARI, M. Friedrich Freobel: o formador das crianças pequenas. Revista Nova Escola. Edição Especial: compilação dos volumes 1 e 2 dos Grande Pensadores. jul 2008.
BALDWIN, A. L. Teorias do Desenvolvimento da Criança. São Paulo: Pioneira, 1973.
REIGOTA, Marcos O que é Educação Ambiental? São Paulo: Ed. Brasiliense, 1994

TRAVASSOS, Edson Gomes. A prática da Educação Ambiental nas Escolas. Porto Alegre: Mediações, 2006.







Autor: Kaio Cassio Delmondes Dias

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Os brinquedos mudam conforme a idade



Imagem; Militão dos Santos




Até os 3 anos, a criança absorve o mundo por todos os seus sentidos e precisa ter contato com os elementos da Natureza: O MUNDO ENTRA NA CRIANÇA.

Primeira boneca: ao nascer a criança já pode ganhar uma boneca de nós, pequena, feita de seda, cetim ou algodão/flanela. No berço, serve como consolo para a hora de dormir, e pode acompanhar o bebê nas excursões fora de casa, como apoio, também conhecido como “cheirinho”.

Brinquedos até 3 anos: A boneca com membros, mas pouco detalhada, com feições apenas sugeridas, parecida com a criança, por exemplo, na cor dos cabelos e dos olhos. É a boneca companheira, espelho da própria criança. Carros de empurrar, fortes, como carrinhos de mão de madeira ou caminhões com caçamba para juntar coisas. Os objetos devem ser grandes para não serem engolidos, pois muito desta fase passa pela boca.

A partir aos 3 anos, inicia-se a fase social (antes dizemos que a criança é associal…não confundir com anti-social), ela adapta-se e aprende a relacionar-se com o mundo que a cerca. A CRIANÇA ENTRA NO MUNDO. Ela quer conhecer seu meio arnoiente, experimentar. A imitação com sentido das tarefas domésticas faz a criança participar do mundo adulto.

Até os 6 anos, a boneca detalhada (com cabeça humana, corpo ereto, membros bem definidos, roupas, acessórios, distinção de sexo, raça, etnia) é um ancoradouro, oferece apoio emocional. Depois passa a ser uma companheira que terá seu lugar de honra no quarto, até muito tempo depois da criança não mais brincar de “casinha”.

A partir dos 5 anos, os bonecos flexíveis encontram seu espaço no brincar, pois espelham os papéis na vida social (pai, mãe, professor, médico, irmã, bebê, avós, etc). Por terem estrutura de arame, possibilitam o manuseio, variando gestos e posições, como um teatro. A casinha de boneca grande com móveis e compartimentos é o complemento ideal para este brinquedo, assim como bichos de pano, madeira ou de tricô, canoas e carrinhos que possam ser ocupados pelos personagens. Tudo isto é válido tanto para meninas como para meninos.

Quanto aos fantoches, iniciamos com os fantoches de cordão, que, conduzidos pelos adultos no teatro, não é um brinquedo, mas um recurso para alimentar a fantasia da criança na contação de histórias. É uma imagem da situação espiritual na primeira infância, cujo direcionamento vem do alto.

Os fantoches de mão entram na vida da criança a partir dos 7 anos, quando a criança dá vida aos bonecos a partir de dentro: ela comanda! A criança sai da esfera do vivenciar puro para o pensar, desenvolvendo memória, imaginação e sentimento como instrumentos para sua vida social.

Já as marionetes, com estrutura de madeira, movimentos mecânicos e alavancas podem ser construídos pelas crianças a partir dos 12 anos, quando elas entram na puberdade e o peso do corpo se faz sentir. O desafio aqui é transformar os movimentos mecânicos em leves e harmoniosos. O jovem deveria conceber o brinquedo e construi-lo, assim ele pode ter a experiência de ser co-autor, co-responsável para com o mundo.

A partir dos 9 anos, os bonecos podem ter distinção de sexo. Antes, este detalhe não era importante, pois a fantasia da criança se ocupava da transformação necessária conforme a ocasião.

Quanto aos jogos, até 3 anos, a criança praticamente brinca sozinha, mesmo acompanhada de outras crianças. Tem pouca concentração e muda rapidamente seu foco de interesse. Depois desta fase, começa o brincar junto, com muita imitação. Aos 4 anos ela faz as regras. A partir  dos 6 anos, aceita as regras vindas de fora. Agora as reações terão muito a ver com o temperamento particular de cada um. Aos 12 anos, digerem os jogos, relacionando-os com seu íntimo. Tiram conclusões morais.

No jogo, está contida a força que harmonizará a vontade da criança. Deve ser acompanhada de duas outras forças: ritmo e fantasia. A fantasia é a fonte mais importante das forças criadoras da personalidade. O jogo deve vir do interior para o exterior: criança deve ser tocada no seu íntimo e excitada na sua extrema necessidade de mudança, assim aprende a dominar suas inclinações. A criança aprende que existem regras que as pessoas têm de manter para conviverem entre si. No seu jogo criativo, fazem suas próprias regras, bem rígidas até! É um exercício de dinâmica social.


BREVE PANORAMA DO DESENVOLVIMENTO ATÉ OS 12 ANOS


1 ano: tateia tudo com mãos e boca. Risco de ingerir objetos. Os brinquedos devem ser grandes, redondos ou arredondados: bolas de pano ou de borracha, bichos de tricô ou tecido, cestos para empilhar e juntar coisas. Exercitar a verticalidade no andar livre é a principal atividade da criança.

2 a 3 anos: Fase caracterizada por intensa atividade. Destrói (se dá mais com os meninos do que com as meninas) por causa dos movimentos bruscos. Não se detém muito tempo no brinquedo. É egoísta e tímida. Não empresta os brinquedos, não brinca com outras crianças muito tempo. Precisa de carros fortes de empurrar e de puxar, pás e colheres e recipientes para brincar na areia. Esta atividade ativa as forças plásticas, causando no organismo um bem-estar imediato. No futuro, estas forças se expressarão como originalidade criadora.

4 anos: Início da vida social, do brincar junto. A fantasia aflora. Imitação e repetição são a base do brincar. É ativa e falante, ainda com pouca concentração. Gosta de desafios como quebra-cabeças de figuras inteiras e conhecidas, dominós de bichos ou cores. Deleita-se com blocos de construção de madeira e carros menores. A boneca acompanha o brincar. Brincar com madeira dá à criança a necessária quantidade de calor e “humanidade”, os brinquedos se personalizam, são simpáticos à criança.

5 anos: tem maior domínio das mãos, já executa tarefas domésticas. Em geral, são calmas e felizes, tem maior auto-determinação e domínio. Fica em silêncio por longos períodos.  Fazem muitas perguntas. Manifestam muito interesse pelas letras, para esquecer no ano seguinte. Tem ideias claras do que querem como regras, a brincadeira surge como inspiração própria (“faz de conta…, agora você fala isso… e eu faço aquilo…”). A brincadeira pode parar em qualquer ponto (para brigar, almoçar etc). Lida bem com jogos de dados simples. Precisa de variedade de objetos para construções da sua fantasia (panos, madeiras, cestos, pedras, bichos, bonecos, carros, panelas, roupas, caixas, pás…).

6 anos: Maior concentração e muita imaginação. O domínio corporal deve estar amadurecido, com lateralidade definida. Adora desafios corporais tanto de motricidade ampla (subir nas árvores, construir cabanas, gangorras…) como os de motricidade final (tricô de dedo, debulhar grãos, pequenas costuras, manusear bonecos de teatro, dedilhar a Kântele etc). Aceita regras e assume papéis e tarefas dentro da sala. Começa o interesse pelas coleções, que pode se estender até a puberdade. Gosta de ouvir longas histórias e a memória já se faz presente como capacidade nova, revelando a passagem para a fase seguinte, da vida escolar.

Na vida escolar, não deveria se passar nenhum dia sem que o entusiasmo e o experimentar fosse exercitado na criança, o que se faz numa educação baseada em atividades artísticas.

Até 8 anos, a criança não se preocupa em compreender o mundo de maneira intelectual. Ela “agarra” o mundo com o corpo inteiro: trepando, escorregando, esburacando, correndo, dando cambalhotas. Brincar significa amar o mundo! Ela “devora” informações: coleciona.

Aos 9 anos interessam-se por jogos que exigem concentração, habilidade, movimento, dinâmica: amarelinha, girar pião, correr com aros de arame, bolinhas de gude, pular corda, cinco-marias, etc.

Entre os 11 e 12 anos, através dos jogos e histórias onde o dualismo da alma é vivenciado (apego à terra x relação com e espiritual) a criança é levada a se conhecer melhor, podendo chegar sozinha à conclusões morais. Jogos em grupo: esconde-esconde, pé na bola, polícia e ladrão. Jogos de tabuleiro: xadrez, damas e de cartas: dorminhoco, detetive etc.


AMBIENTE – ARRUMAÇÃO – ATITUDE DO ADULTO


Quanto ao ambiente físico, precisamos levar em consideração as impressões que os órgãos dos sentidos estão recebendo: cores, estampas, forração do chão, da cama, das cortinas. Algumas questões podem nos levar à reflexões positivas.


  • Os móveis são adequados à idade, em tamanho, forma e finalidade?
  • Os brinquedos estão colocados ao alcance da criança? Eles estão expostos como numa vitrine ou cada qual tem seu lugar apropriado?
  • Há espaço para guardar tudo em ordem, ou brinquedos estão socados em baús, gavetas, armários, sacos?
  • No pátio, há elementos variados, acessíveis à criança: areia, água, grama, árvore, pedras, toras de madeira… há espaço no pátio para a criança brincar com balanço, correr, construir cabanas, etc?
  • O quarto de dormir tem de estar sempre em ordem e o quarto de brincar pode ficar sempre bagunçado?

De forma geral, o quarto da criança deveria também acomodar pelo menos alguns brinquedos, porque ali é o seu cantinho particular, onde ela elabora seu mundo de fantasia, e onde busca refúgio nos momentos de tensão. Ele não precisa ser grande, mas aconchegante e convidativo, com cores pastéis nas paredes e tecidos, móveis com quinas arredondadas, quadros que invoquem qualidades e ações humanas (atividades no campo, o anjo da guarda, mães cuidando de seus filhos, animais domésticos com seus donos…). As bonecas devem ter seu canto especial, com uma caminha ou uma cadeirinha, ou um cesto que abrigue a todas, lado a lado. Carrinhos podem ter sua garagem embaixo de alguma prateleira.

Os brinquedos devem ser selecionados: os de brincar no pátio podem ficar guardados em outro armário, em outra peça da casa próxima ao pátio para facilitar o acesso. No quarto, deve acontecer as brincadeiras mais delicadas como montar casinhas, jogos de peças pequenas, desenhar, ver livros. Os livros devem ficar no quarto, acessíveis na medida em que a criança aprende a manuseá-los, assim ela criará amor pelos livros e pela leitura.

A regra geral é: no quarto, + CONCENTRAÇÃO; no pátio, + DISPERSÃO. Isto é importante, corresponde ao respirar rítmico saudável, equilibrando a criança física e emocionalmente.

Quanto à arrumação: quando exigimos ordem em excesso é como se impuséssemos à criança que ela acorde de seu sonho e entre na fria realidade, instalando o prematuro despertar do intelecto, comprometendo a saúde física-anímica e a futura faculdade do pensar. A desordem, de forma geral, não agrada aos pais, mas precisamos compreender o que experimenta a criança e o que é necessário ao seu desenvolvimento. Planejar este momento do dia, preparar-se para ele, considerando seu papel educativo ajuda a efetivar tensões. É sempre bom lembrar que, para as crianças, uma mãe brava é como uma “divindade irada”.

Até os 5 anos, a criança não consegue distinguir o seu brincar de outras atividades (tomar banho, almoçar, arrumar o quarto, escovar os dentes, etc.) precisamos levá-la à mudança pela fantasia, ou seja, junto com a criança ir colocando os cavalos no estábulo, os carros na garagem, as bonecas nas caminhas, etc. Com os maiores, podemos criar um jogo: “eu junto as peças vermelhas e você as azuis”. Cantar cantigas que evoquem a ação desejada ajuda muito neste momento, diluindo tensões, exemplo: canções para dobrar panos, para escovar os dentes, para se enxugar.

Ter o quarto em ordem deve inspirar vida e não uma vitrine, com brinquedos expostos em prateleiras. Cada coisa deve ter o seu lugar, não rígido, mas permeado de sentido: camas para os bonecos, garagem para carros, anões de feltro num tronco, pedras preciosas num bauzinho, conchas num cestinho, etc.

Dar os brinquedos, ou permitir brincadeiras, como construir cabanas na sala, com a condicionante condição de que depois tudo deverá ser guardado em seu devido lugar inibe as crianças e muitas vezes impede que as brincadeiras se realizem. Muitas crianças já não dão vazão às suas fantasias por já terem consciência de que é chato e cansativo arrumar tudo depois; tornam-se apáticas, sem criatividade e acomodadas. “Colocar as coisas em seu lugar” não faz parte da vida da criança pequena, isto só adquire significado nos anos escolares.

Quanto à postura do adulto, este deveria desenvolver um olhar para os brinquedos cheio de carinho e respeito e transmitir isto em seus gestos. Arrumar o quarto deveria ser um ato de amor e não só de limpeza. Algumas observações poderão nortear os pais neste sentido:

  • Tentar compreender as necessidades físicas e anímicas de cada idade (especialmente importante para famílias com mais de um filho), relembrando a própria infância e investigando sobre o assunto.
  • Fazer companhia às crianças e interferir somente no necessário, orientar quando preciso e participar quando convidado.
  • Estar com as mãos ocupadas numa tarefa qualquer, costurando ou cuidando das plantas, para disfarçar o fato de estar supervisionando a brincadeira.
  • Ter em mente que a fantasia do adulto não é igual à fantasia das crianças, por isso não exagerar nas interpretações ou intervenções.
  • Geralmente, o adulto é visto como um intruso quando a criança está entretida criando algo.
  • Quando falta iniciativa às crianças, é tarefa do adulto entusiasmá-las e orientá-las nos jogos e brinquedos sadios.
  • Em lugar de repreender, no caso da desordem, situar-se no mundo infantil e tomar parte na alegria criadora que vem das crianças.
  • O adulto deve ser digno de ser imitado. Suas ações, bem como seus sentimentos e pensamentos devem refletir que é bom estar na terra, que é bom crescer e conviver. Em resumo, toda ação educativa deve permear-se dos sentimentos de que o mundo é bom, belo e verdadeiro.


ELEMENTOS PARA O BRINCAR


  • Retirados da Natureza: pedras, conchas, folhas, galhos, areia, barro, água, musgo, pequenos bichinhos, pinhas, sementes, cascas, catutos, vagens etc.
  • Elaborados pedagogicamente: animais de pano/tricô/madeira; carros de madeira/lata, fogõezinhos de barro, capas, caixas, blocos de montar, bonecos de pano/tricô/feltro, bolas de tecido, sacos, panos de tamanhos variados, bonecas grandes e pequenas, móbiles etc.
  • Brinquedos temporários: caixas de papelão, rolinhos de papel higiênico, potes de iogurte, palitos de picolé, latas, rolhas, tampinhas etc.
  • Brinquedos de pátio: gangorra, corda, balanço, escorregador, cavalinhos de cabo de vassouras, carriolas, carrinhos de mão etc.
  • Coleções: selos, tampinhas, figurinhas, papel de cartas, guardanapos, folhas secas, pedrinhas coloridas, conchas etc.
  • Modelagem: na caixa de areia ou na praia, argila, cera de abelha, massa de pão ou biscoito, massinha etc.
  • Casinha: panelinhas de barro, de ferro, de lata; panos de tamanhos variados, colheres de pau, recipientes de bambu, móveis pequenos, cestos, caixas, pregadores de roupa, tina para lavar etc.
  • Jogos sociais: teatralização baseada em histórias, cantigas de roda, jogos com regras simples como “coelho na toca”; jogos com regras definidas bem x mal. Como “amarelinha”; jogos com bola ou objetivo de grupo, etc.
  • Jogos com regras: quebra-cabeça, loto, dama, resta-um, cara-a-cara, cinco-marias, jogo-da-velha, dominó, etc.
  • Bonecas: roupinhas adequadas à “idade” da boneca, caminha, berço, panos para embrulhar, “canguru” para carregar a boneca nos passeios, etc.


Texto elaborado por Simone de Fáveri, pedagoga e terapeuta artística antroposófica
Extraído do COLIBRI BOLETIM DA ESCOLA WALDORF ANABÁ

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Gesto e identidade - o corpo na infância


Imagem: Cândido Portinari - Meninos Brincando



Tema central em meu trabalho e de minhas pesquisas nos últimos 20 anos como psicólogo, psicomotricista e professor, o corpo e a infância podem ser observados a partir de diversos aspectos: a postura, o crescimento, a expressão, a autonomia, a coordenação motora, a relação com o mundo, a auto-estima e a construção da identidade. Enfim, muitos olhares podem ser nosso ponto de partida, pois tudo está interligado.

Começarei por aquilo que creio comunicar-se com todos estes aspectos: o desenvolvimento motor.

Sabemos que desde cedo o corpo se transforma, alcançando etapas de autonomia: rolar, sentar, sustentar a cabeça, engatinhar e andar. Depois correr, jogar, desenvolver habilidades motoras participando esportes. Como podemos facilitar e estimular cada uma destas etapas? Quantas destas aquisições contribuem para a formação do indivíduo e de sua personalidade?

Uma boa educação corporal deve levar em conta os aspectos qualitativos da experiência motora. O desenvolvimento motor se dá na relação do nosso corpo com o espaço. Para que ocorra de maneira saudável, precisamos em primeiro lugar de um ambiente que favoreça a exploração e o movimento.

Para o recém nascido, o espaço favorável ao desenvolvimento motor é o colo da mãe. É neste lugar que ele vai se experimentar. Seus primeiros movimentos serão involuntários, porém muito ricos em termos de informações sobre o ambiente e sobre si mesmo.

Seu corpo estará enrolado e próximo ao corpo de sua mãe. Todos os seus sentidos trabalharão para que ele possa formar uma imagem do que está acontecendo.

Os sons vindos do corpo da mãe, seu batimento cardíaco, sua voz, os cheiros, a temperatura, as vibrações, as pressões sentidas pelo toque que recebe e pela forma como é pego, serão associados aos seus movimentos e à sua percepção visual. 

Inicialmente, a amplitude do espaço que ele pode perceber está muito próxima do seu corpo, do rosto e do colo da mãe.

Poderíamos imaginar um espaço circular no qual a criança e a mãe estão inseridas. Dentro deste círculo a criança mexe seus braços e pernas em todas as direções. Portanto a imagem que ela forma não é a do círculo em um único plano e sim a da esfera.

A criança sente que ela e a mãe compartilham um espaço esférico.

É também o espaço da ‘RELAÇÃO’ sem a qual nenhum tipo de desenvolvimento saudável pode ocorrer.

É importante dizer que as situações fora do colo devem seguir estes princípios esféricos. O berço, por exemplo, deve trazer a lembrança da sensação do colo. Não pode ser grande. A criança precisa sentir seu contorno e isto pode ser facilmente resolvido com almofadas ou travesseiros (de preferência planos e fixos) que podem ser retirados à medida que a criança cresce.

O principio a ser seguido é o do contorno e do reagrupamento. É importantíssimo agrupar mãos e pés em torno do centro representado pelo umbigo. Uma criança esparramada, com braços e pernas completamente soltos e largados terá maior dificuldade em perceber a unidade de seu corpo.

Alguns trabalhos têm sido feitos com bebês em incubadoras, onde seus corpos são reagrupados pelo toque humano e a resposta de sobrevivência é surpreendente.

Temos, portanto, os elementos de base do desenvolvimento motor: espaço esférico, reagrupamento, a relação, o toque e o movimento.

Ao longo da infância e da adolescência haverá uma transformação destes elementos, mas eles permanecerão constitucionais.

O espaço esférico, por exemplo. Inicialmente formando uma pequena esfera relacional, vai se ampliando. A criança percebe um espaço maior: seu berço, seu quarto. Além disto, percebe objetos: a bola, os brinquedos, o próprio berço, a textura das coisas e uma infinidade de informações sobre o mundo, diferentes daquelas que ela obtém na relação com sua mãe.

Seu corpo torna-se cada vez mais capaz de explorar o ambiente. Percebe os planos, os volumes, a profundidade, os pontos, as curvas e as retas. Percebe também o tempo: o tempo de ir e o de voltar. Toda uma nova relação conceitual com o mundo se estabelece e a criança começa a se interessar por tudo aquilo que está fora do pequeno círculo concêntrico em torno do seu umbigo. Lança-se na direção do objeto e do espaço esticando seus membros, tentando alcançar novos limites. Seu corpo se desenrola em um movimento de expansão. 

Em muitas palestras e aulas tenho procurado evidenciar estes dois movimentos posturais de concentração e enrolamento e de expansão e abertura. São expressões corporais que se alternam continuamente em nossas vidas. É este ritmo alternado que parece equilibrar nossa vida psíquica e física.

Tenho também insistido em que estas expressões representam estados interiores. Quando a criança parte para um movimento de expansão, não é só seu corpo que assume esta forma, mas ela se descentra no nível psíquico e emocional. O mesmo acontece quando depois de uma intensa exploração externa ela retorna buscando se aninhar em nosso colo. O enrolamento corporal também corresponderá a um estado de concentração, descanso, digestão de tudo o que foi assimilado do mundo de fora.

Um exemplo que eu gosto de dar é o do “recreio”, onde a criança já em idade escolar permanece por 20 ou 30 minutos em um estado de expansão, correndo, brincando, jogando e quando volta à sala de aula é convidada a se concentrar imediatamente. Será que não poderíamos facilitar esta transição com a ajuda de exercícios corporais? 

Parece claro, para mim, que muitos dos problemas de concentração e atenção que sofrem nossas crianças podem ter como origem esta falta de ritmo e alternâncias.

A dança tem sido um instrumento muito importante em meu trabalho no sentido de restabelecer este ritmo.

Não se trata da dança profissional, com objetivos estéticos e artísticos e sim da dança folclórica, da movimentação ritmada do brincar com o corpo e com a música. 

A dança de roda é a minha preferida pois ela trabalha em um novo estágio a idéia do espaço esférico.

Imaginem que aquele círculo que inicialmente ligava a mãe e o bebê foi se ampliando e ganhou novos limites, incluiu as outras pessoas, os objetos e o mundo e chegou na idéia de um grupo. “O grupo do qual eu faço parte”. Seja família, amigos, etc. É a esfera que se ampliou para um nível simbólico e a dança de roda é a expressão corporal deste conceito, deste estado interior que possibilita identificar-me fazendo parte de uma determinada associação humana. É um poderoso instrumento de constituição de grupo e reúne os tais elementos de base para o desenvolvimento motor: o espaço esférico, o reagrupamento das partes do corpo em um todo coordenado, o movimento e o ritmo, o toque (as mãos em contato) e a relação com os outros e com um objetivo comum que nos relembra nossa humanidade.

Porém, nem sempre conseguimos este reagrupamento harmônico com nossas crianças.

Em grupos caóticos tenho me utilizado de outro elemento poderoso no sentido do reagrupamento: o objeto.

Um simples pano, uma colcha de casal, um edredon podem ter um efeito imediato. Convidamos às crianças a segurarem as beiradas do pano e então a mágica se faz, o círculo está pronto. Aí brincamos de rodar para um lado, rodar para o outro, aproximar-se do centro ou distanciar-se, sentindo a tensão do tecido sob as mãos. Depois agitamos como se o pano fosse um mar revolto, acalmamos o mar e com isso acalmamos os movimentos da criança. Só depois de ter o elemento concreto vivido pela criança é que partimos para a roda de mãos dadas, a ciranda e a música.

Caros amigos, é uma pena que estamos chegando ao fim do espaço reservado para este texto. Guardo com apreço as lembranças do nosso encontro no Colégio Notre Dame. Pareceu-me bastante rico. Poderia continuar discorrendo sobre vários temas abordados naquele encontro, mas acredito que pude recuperar com palavras escritas um pouco do que falamos. No mais desejo a todos muito entusiasmo na lida com as crianças. É disto que elas precisam. Espero também que o corpo esteja sempre presente e vibrante na vida de vocês!




Sugestões Bibliográficas

Béziers , Marie-Madeleine e Hunsinger, Yva – “O Bebê e a Coordenação Motora” – Summus Ed.


Denys-Struyf, Godelieve – “Cadeias Musculares e Articulares” – Summus Ed.
Piret, S. e Béziers, M.M. – “A Coordenação Motora” – Summus Ed.


Scoz, Beatriz – “Por uma Educação com Alma” – Ed. Vozes.





André Trindade


Fonte: Aliança pela Infância