ENCONTROS DE ARTE EDUCAÇÃO - FEVEREIRO

ENCONTROS DE ARTE EDUCAÇÃO

"NARRATIVAS LÚDICAS DA INFÂNCIA - A música e o ritmo, O corpo e a dança, A escuta e o brincar"

EM BREVE!!!

EDUCADORES, PAIS, ARTISTAS, ESTUDANTES E TODOS OS INTERESSADOS EM ARTE, EDUCAÇÃO E LUDICIDADE ESTÃO CONVIDADOS!


Abordando a importância do reconhecimento do brincar como linguagem própria e fundamental da criança e meio por excelência para a construção de conhecimentos sobre si, sobre a relação com o outro e as coisas do mundo. Serão apresentadas aos participantes as contribuições da brincadeira para o desenvolvimento integral, bem como questões presentes na sociedade contemporânea que impedem a concretização de uma infância plena e permeada pela ludicidade.

Para mais informações acesse: www.ateliegiramundo.com ou envie uma mensagem para contato@ateliegiramundo.com

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A Importância da Educação Infantil para o Amplo Desenvolvimento da Criança

Imagem: Internet


O presente pretende analisar a importância da Educação Infantil para o amplo desenvolvimento da criança, considerando o verdadeiro papel da escola no processo educativo. Para tanto realizou-se um estudo bibliográfico de caráter qualitativo, fundamentado em Áries (1981), Freud (1973), Piaget (1974), Antunes (2004) e Hermida (2007); com o objetivo de esclarecer e discutir como deve ser o trabalho na Educação Infantil, de maneira que possibilite a criança desenvolver-se plenamente, e tem como objetivo refletir sobre a importância da educação escolar para o desenvolvimento da criança, considerando que a Educação Infantil é uma etapa relevante na medida em que proporciona na criança desenvolver-se integralmente em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social.
Dessa forma, fez-se um estudo bibliográfico buscando analisar qual a contribuição da escola para o processo de formação da criança, pois esta necessita de orientação adequada de maneira que possibilite uma aprendizagem saudável e significativa. Sendo assim, cabe ao educador interagir com as crianças, orientar sua aprendizagem, bem como atendê-las de forma adequada, respeitando sua forma de ser e agir no mundo. Desse modo, segundo Vygotsky (1989, p.148 apud HERMIDA, 2007, p.285)
as experiências e as trocas afetivas são fonte de desenvolvimento. É através da experiência social mediada pelo outro, nas diversas situações de convívio social da qual participa, que a criança aprende parte significativa das ações e conhecimentos necessários para sua inserção no mundo.
Nesse sentido, é fundamental que o educador oportunize experiências estimuladoras que possibilitem a criança construir seu próprio conhecimento, considerando suas características e diferenças étnicas, religiosas, econômicas e todas as suas necessidades específicas. Portanto, compete ao ensino infantil considerar que as crianças são diferentes entre si, implicando assim em uma educação baseada em condições de aprendizagem que as respeitem como pessoas singulares.
Sabe-se que fora da escola os alunos não têm as mesmas oportunidades de acesso ao conhecimento. Nessa perspectiva, baseando-se em estudos de Áries (1981) busca-se refletir sobre a importância da Educação Infantil para a progressão da infância; em Freud (1973) e Piaget (1974) para a compreensão das fases do desenvolvimento infantil, as quais devem ser levadas em consideração; e ainda Antunes (2004) e Hermida (2007) para o entendimento de como deve ser o espaço ideal para que a criança alcance os objetivos que dela se esperam.

A INFÂNCIA E A EDUCAÇÃO INFANTIL

O período que se estende da gestação até os seis anos de idade é considerado o mais importante para o desenvolvimento da criança, pois é nessa fase que a criança estabelecerá suas conexões com o mundo, corroborando esta afirmativa Antunes (2006, p. 9) declara que a criança "precisa desenvolver-se plenamente nos aspectos físico, psicológico, intelectual e social, por meio de uma educação bem estruturada que atenda as necessidades da criança", porém essa relevância não foi sempre considerada ou mesmo conhecida, pois durante muito tempo a criança não era reconhecida como um ser que precisava de cuidados e educação específicos para a sua faixa etária e para cada fase do seu desenvolvimento.
Até o período da Idade Média a criança era vista como um adulto em miniatura, um ser que precisava ser treinado para suas atividades quando alcançasse a idade mínima para tal. Até mesmo suas roupas eram semelhantes às roupas dos adultos, e como destaca Ariès (1981, p.32), "a diferenciação das vestes objetivava apenas manter visíveis os degraus da hierarquia social". A presença da criança nas obras de arte, ao serem retratados nos momentos familiares, junto a outros adultos, brincando ou presente nas cenas da crucificação, segundo Ariès (1981, p.21) sugere duas ideias:
primeiro a de que, na vida cotidiana as crianças estavam misturadas com os adultos, e toda reunião para o trabalho, o passeio ou o jogo reunia crianças e adultos; segundo, a idéia de que os pintores gostavam especialmente de representar a criança por sua graça ou por seu pitoresco.

Dessa forma, expondo a criança como um ser que não possuía características e valores próprios que fossem dignos de respeito e por isso eram tratadas como uma subclasse que antecedia tornar-se humano, como um animal irracional que a partir do momento que tivesse suas faculdades físicas amadurecidas seria considerado como um indivíduo racional.
Ao considerarem-se os estudos relativos à infância, Ariès (1981) afirma que apenas no século XIII começaram a surgir representações da criança que se aproximam do sentimento moderno; a criança anjo representada pelo menino que era educado para ajudar na missa, o Menino Jesus ou Nossa Senhora menina que já trazia algum sentimento específico pela infância e a criança nua representando a pureza e alma que era entregue a cada pequena e nova criatura. Pois até o século XII a ausência da criança nas representações artísticas denuncia que, a criança tinha tarefas e obrigações que lhe preparavam para a vida adulta desde muito cedo, e dessa forma não havia preocupação nem espaço para as fases específicas da infância, pois a infância não passava de mera transição para se modelar ao que se esperava do futuro adulto. Na mesma obra, Ariès (1981, p. 99) ressalta que o fato de não existir um sentimento pela infância
não quer dizer que as crianças fossem negligenciadas, abandonadas ou desprezadas. O sentimento da infância não significa o mesmo que afeição pelas crianças: corresponde à consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto, mesmo jovem.
Não era atribuído nenhum significado específico a infância, e ainda as crianças menores, não eram levadas em consideração pelo fato de terem uma vida muito frágil devido os altos índices de mortalidade infantil. Ariès (1981, p. 100) complementa: "Assim que a criança superava esse período de alto nível de mortalidade, em que sua sobrevivência era improvável, ela se confundia com os adultos", e então passava a desempenhar as atividades que já se esperavam dela.
Na Idade Moderna, com o advento do Iluminismo, percebe-se uma mudança na concepção da criança, especialmente nas classes mais elevadas: a criança passa a receber maior atenção e cuidados específicos e direcionados para suas necessidades que começam a ser percebidas como diferentes das necessidades dos adultos. Os registros históricos apontam que a criação das primeiras instituições para crianças datam do século XIX, e Friedrich Froebel que viveu no período de 1782 a 1852 foi o fundador dos primeiros modelos de jardim de infância, utilizando jogos e brincadeiras no aprendizado infantil.
Ao se criar um elo entre as representações infantis e o conhecimento concreto; segundo os estudos de Ferrari (2008), Froebel defendia ainda que quanto mais ativa é a mente da criança, mais ela é receptiva a novos conhecimentos, assim considerando os sentidos da criança, o contato que ela cria com o mundo e respeitando os estágios de capacidade de aprendizado e suas características específicas é que deve ser o ponto de partida para o ensino.
A princípio, a educação infantil desempenhou um papel mais de assistencialismo, como afirma Heidrich (2010, p. 01), dizendo que no Brasil esse período "perdurou por quase um século e só perdeu força quando a Constituição de 1988 tornou o segmento um dever do Estado e fortaleceu seu caráter educativo", não só no Brasil, mas em todo o mundo a ideia de assistencialismo ganhava força, como salienta Kuhlmann Jr. (2000, p. 14):
A concepção da assistência científica, formulada no início do século XX, em consonância com as propostas das instituições de educação popular difundidas nos congressos e nas exposições internacionais, já previa que o atendimento da pobreza não deveria ser feito com grandes investimentos. A educação assistencialista promovia uma pedagogia da submissão, que pretendia preparar os pobres para aceitar a exploração social. O Estado não deveria gerir diretamente as instituições, repassando recursos para as entidades.
Assim, as primeiras escolas já surgiam com o objetivo de manter as classes subordinadas no patamar em que estavam recebendo apenas assistência básica para que os pais das crianças pobres pudessem continuar trabalhando para manter o alto nível econômico da classe dominante.
No século seguinte, devido a mudanças estruturais na sociedade ocasionadas pela Revolução Industrial, a mulher passou a compor o mercado de trabalho, e desta forma houve uma crescente necessidade de se aumentar o número de escolas já que as mães não mais poderiam cuidar de seus filhos em tempo integral, necessitando assim de um auxílio do governo para contar com escolas que cuidassem bem de seus filhos, dessa forma Kuhlmann Jr. (2000, p. 11) expõem que
As instituições de educação infantil tanto eram propostas como meio agregador da família para apaziguar os conflitos sociais, quanto eram vistas como meio de educação para uma sociedade igualitária, como instrumento para a libertação da mulher do jugo das obrigações domésticas, como superação dos limites da estrutura familiar. As idéias socialistas e feministas, nesse caso, redirecionavam a questão do atendimento à pobreza para se pensar a educação da criança em equipamentos coletivos, como uma forma de se garantir às mães o direito ao trabalho. A luta pela pré-escola pública, democrática e popular se confundia com a luta pela transformação política e social mais ampla.

Através desse contexto entende-se que as mudanças na sociedade atingiam diretamente os mecanismos de funcionamento da educação, pois as instituições escolares precisavam atender, além das necessidades das crianças, também as necessidades das famílias.
Somente em 1988, com a promulgação da Constituição da República Brasileira, a educação foi tratada como assunto de suma importância e como um direito que toda criança dispõe mesmo antes de nascer, e um dever que cabe ao Estado garantir. Na busca por melhorias na educação, Heidrich (2010, p. 02) coloca a Constituição de 1988 "como marco que rompeu a tradição assistencialista" e complementa declarando que
dois anos depois, em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) reafirmou os direitos constitucionais em relação à Educação Infantil. Em 1994, o MEC publicou o documento Política Nacional de Educação Infantil que estabeleceu metas como a expansão de vagas e políticas de melhoria da qualidade no atendimento às crianças, entre elas a necessidade de qualificação dos profissionais, que resultou no documento por uma política de formação do profissional de Educação Infantil.
Além desses documentos, foi de fundamental relevância a promulgação da Emenda Constitucional que criou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96), onde a educação infantil passou a compor a primeira etapa da Educação Básica, integrando-se aos ensinos fundamental e médio.
Outras publicações como o documento divulgado pelo MEC em 1998: Subsídios para credenciamento e o funcionamento das instituições de educação infantil e a edição do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil como parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais, visando à elaboração de currículos de educação infantil, cuja responsabilidade foi delegada pela LDB a cada instituição e seus professores. Em 1999 o Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil que como afirma Heidrich (2010, p.2) "Esses documentos são, hoje, os principais instrumentos para elaboração e avaliação das propostas pedagógicas das instituições de Educação Infantil do país", desempenhando um importante papel na organização da educação infantil, pois são eles que fornecem as bases para se compreender os direitos que cabem a todas as crianças.

AS FASES DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

O desenvolvimento da criança tem sido alvo de grandes estudos, em que o ser infantil é visto como um importante meio de obtenção de respostas para múltiplas indagações que se tem a respeito do comportamento humano. Tais estudos têm revelado que a criança passa por um processo de construção de personalidade conforme as relações estabelecidas com o ambiente físico e social que convive, haja vista que há opiniões contrárias a esta afirmação, pois a hereditariedade também é um dos fatores relevantes para o desenvolvimento humano.
Piaget, um dos grandes percussores das teorias do comportamento humano, realizou pesquisas no campo da psicologia infantil, constatando que o desenvolvimento cognitivo dar-se-á através de estágios, momentos em que o indivíduo adquire maturidade desde o nascimento à vida adulta estando em constante transformação.
Em linhas gerais, Piaget (1974) esquematiza o desenvolvimento intelectual nos seguintes estágios: Sensório-motor (0 a 2 anos) que corresponde o estágio inicial, que vai do nascimento até os dois anos de  vida, momento em que a criança já tem uma percepção do ambiente e age sobre ele. Faz-se necessário uma estimulação ambiental para que o bebê obtenha reflexões das imagens e com isso já passe a coordenar-las.
O segundo estágio (2 aos 6 anos) chamado de Pré-operacional, momento em que a criança começa a desenvolver a capacidade simbólica. Neste período o que de mais importante acontece é o aparecimento da linguagem, que irá acarretar modificações nos aspectos intelectual, afetivo e social da criança. É importante ainda considerar que neste período a maturação neurofisiológica completa-se permitindo o desenvolvimento de novas habilidades, como a coordenação motora fina, onde a criança já consegue fazer alguns movimentos exigidos pela escrita.
O terceiro estágio chamado de operações concretas (7 aos 11 ou 12 anos) é o período onde as operações mentais da criança ocorrem em resposta a objetos e situações reais. Também inicia-se a construção lógica, isto é, a capacidade de coordenação de pontos de vista diferentes. E por último o quarto estágio, que se refere às operações formais, é o período após os 12 anos, a fase da adolescência, em que a criança passa a adquirir características próprias da fase adulta, como também adquire autonomia crescente em relação ao adulto, passando a organizar seus próprios valores morais.
Levando em consideração essas fases, vale ressaltar que o processo de ensino e aprendizagem deve considerar o período de maturação, pois segundo Mussen (1982, p.27-28) "odas as características do indivíduo bem como todas as mudanças de desenvolvimento são produtos de maturação" Portanto é esta que determina o nível de desenvolvimento que a criança se encontra, sendo necessário que o organismo atinja o momento apropriado para a realização de determinada tarefa, obtendo assim uma aprendizagem.
Pela ótica de Freud (1973) o comportamento humano é orientado pelo impulso sexual, que o mesmo chamou de libido, que significa prazer, assim pode-se descrever a sequência em que ocorrem as manifestações do impulso sexual distinguindo-as em cinco fases, onde a transição entre elas é gradual, pois a duração varia de um indivíduo para outro. A fase oral (0 18 meses) ocorre durante os primeiros anos de vida, onde a zona de erotização é a boca, os lábios e a língua, são os órgãos de satisfação da criança, seus desejos são orais. A fase anal (18 meses a 3 anos) é o período que a criança aprende a controlar as fezes e a urina, sua atenção está voltada ao funcionamento anal. A fase fálica (3 a 7 anos), é o período em que o papel sexual começa a ser assumido pelos órgãos genitais. Nessa fase do desenvolvimento sexual, o objeto de interesse para a criança de ambos os sexos é o pênis. Esse período apresenta grande tensão e muitas dificuldades para a criança. "Sua solução é importante para o desenvolvimento normal e os desvios em sua resolução estão atrás de quase todas as dificuldades neuróticas dos adultos de nossa cultura" (BALDWIN, 1973, p. 344).

A fase de latência (7 a 12 anos) período este correspondente aos anos escolares, quando a criança estará voltada para a aquisição de habilidades, valores entre outros. Contudo esta fase é de calmaria, na qual os impulsos são impedidos de se manifestar surgindo sentimentos como a vergonha, repugnância e moralidade. A fase genital refere-se à fase adulta, período de concretização da identidade na qual o ser já está pronto para se envolver sexualmente.
Para Freud (1973) aspectos extremamente significativos de nosso desenvolvimento pessoal e emocional são determinados durante os primeiros sete anos de vida, desse modo práticas inadequadas na educação das crianças resultarão em prejuízos para o seu comportamento quando adulto.
Diante do exposto, percebe-se a importância do estudo do desenvolvimento humano para compreender que a criança não é um adulto em miniatura, ao contrário, ela apresenta características próprias de sua idade. Os estudos e pesquisas de Piaget e Freud demonstraram que existem formas de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, conforme cada faixa etária. Dessa forma, todos os aspectos levantados são significativos para a educação, pois ao se planejar como e o que ensinar é necessário saber quem é o educando, ou seja, compreender em qual momento a criança se encontra, para que haja uma aprendizagem significativa como também possibilita ao educador realizar seu trabalho de maneira eficiente, proporcionando aos alunos uma maior compreensão do conteúdo.
Sendo assim, as teorias do desenvolvimento humano permitem conhecer as individualidades de cada ser humano, o que torna os profissionais da educação mais aptos para observar e interpretar os comportamentos infantis.

EDUCAÇÃO INFANTIL: UM ESPAÇO EDUCATIVO

A educação e o cuidado na primeira infância tem sido pauta de grandes discussões frequentemente. Considerando que a educação infantil é a base inicial do processo educativo, esta deve ser um ambiente onde a infância possa ser vivida em toda sua plenitude, conforme estabelece a LDB no artigo 29 ao dispor que a educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Dessa maneira, é dever do Estado assegurar às crianças de zero e seis anos de idade o atendimento em creche e pré-escola segundo dispõe o artigo 30. Conforme Antunes (2004) esse atendimento deve ser planejado de modo que não se separe a ideia do brincar da ideia do aprender e que proporcione um ambiente propício para descobertas possibilitando à criança construir seu próprio conhecimento.
Nesse contexto, vale lembrar que as crianças desde o nascimento estão em constante interação com os adultos, que logo procuram incorporá-las a suas relações e a sua cultura. Sendo assim, percebe-se que quase todos os comportamentos humanos são resultantes da convivência com os demais. Logo, a família se constitui no maior agente socializante, isto é, as experiências da criança no âmbito familiar, particularmente com a mãe, são de grande importância para determinar seu comportamento em relação aos outros. Para Hermida (2007, p. 85):
A partir das interações que estabelece com pessoas próximas, a criança constrói o conhecimento. A família, primeiro espaço de convivência do ser humano, é um ponto de referência fundamental para a criança pequena, onde se aprende e se incorporam valores éticos, onde são vivenciadas experiências carregadas de significados afetivos, representações, juízos e expectativas.
Dessa forma, torna-se fundamental a existência da educação infantil à medida que tem o caráter de complementar à educação recebida da família. Caso a criança em casa não tenha acesso a uma aprendizagem "adequada", consequentemente caberá a ela construir a partir das possibilidades que lhe é disponível. Assim cabe a escola assumir um lugar onde a criança se desenvolva, proporcionando apoio e estímulos indispensáveis a cada fase da vida.  Conforme o pensamento de Bujes (2001, p. 21 apud HERMIDA, 2007, p. 227)
[...] a educação infantil precisa ser muito mais qualificada. Ela deve incluir o acolhimento, a segurança, o lugar para a emoção, para o gosto, para o desenvolvimento da sensibilidade; não podendo deixar de lado o desenvolvimento das habilidades sociais, nem o domínio do espaço e do corpo e das modalidades expressivas; deve privilegiar o lugar para a curiosidade e o desafio. 
Portanto, é dever da escola contribuir para o desenvolvimento e a realização do ser humano. A consideração da criança no seu desenvolvimento global indica ter uma preocupação em considerá-la em todas as suas dimensões, tanto nas necessidades físicas como sociais, ou seja, educá-la e cuidá-la, pois na prática pedagógica segundo atores da educação infantil, o cuidar e o educar são indissociáveis.
Todavia, a grande responsabilidade da educação infantil, de acordo com Almada (2007), é compreender o jeito especial de cada criança de estar no mundo, respeitando o seu tempo, seu estilo incomum de ser e sua individualidade. É importante que seja oferecido um ambiente rico em atividades lúdicas ao passo que proporcione um desenvolvimento sadio, desenvolve habilidades motoras, aumente a integração, estimule a sensibilidade; favoreça espaços livres que possibilitem as crianças se lançarem de maneira livre em suas ações criativas.
Além disso, faz-se necessário delinear espaços físicos que atendam o ritmo de "ser criança", sendo que esta precisa encontrar no espaço educativo um ambiente que prime pela cultura infantil, seus valores e ansiedades. Para que se realize um trabalho eficaz na educação infantil, precisa-se sensibilizar o olhar para as vivências, ações e reações das crianças no cotidiano escolar, estabelecendo uma rotina estruturada, percebendo a criança como um sujeito afetivo, criando vínculo emocional que fortaleça a relação entre adultos e crianças, permitindo espaço para o diálogo e a reflexão.
Diante disso, é imprescindível que o educador que atua nesse nível de ensino, conheça o processo de como as crianças pequenas aprendem e se desenvolvem, ocupando um espaço primordial na concepção da formação desses profissionais.  Uma vez que, segundo Hermida (2007, p. 289)
Para desempenhar a contento a mediação de aprendizagens na construção de significados, o educador precisa conhecer como as crianças pensam e se apropriam dos conhecimentos para saber intervir no sentido de que elas possam avançar.
Nesse sentido, o mesmo autor continua:
Para isso, é fundamental que o profissional tenha clareza e consciência quanto às intenções educativas que norteiam seu trabalho e elabore propostas claras sobre o que, quando e como ensinar, a fim de possibilitar atividades de ensino e aprendizagem de maneira adequada e coerente com seus objetivos, enriquecendo e promovendo o desenvolvimento das crianças.
Assim sendo, acredita-se que os ambientes escolares devem ter qualidade em seu atendimento, tanto no espaço físico quanto na preparação dos profissionais, garantindo os direitos básicos à educação e um cuidado atencioso às crianças. Para que isso aconteça de fato, é necessário que se tenha profissionais habilitados para que esse atendimento seja confiável.
Diante dos argumentos expostos, percebe-se a importância dada a Educação Infantil, pois a criança que tem o privilégio de fazer parte desse espaço educativo passa a ser "educada" e a relacionar-se com os objetos e materiais ali presentes de forma diferenciada, tendo também seu comportamento modificado. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A historia da Educação Infantil tem revelado que as crianças em desenvolvimento não mais ocupam um lugar desconhecido, mas sua relevância tem sido cada vez mais compreendida, ao perceber-se que é na infância que se desenvolvem as características mais importantes para o equilíbrio e inteligência do adulto.
A importância da Educação Infantil é comprovada pelo interesse que vem ganhando ao longo da historia, e sua eficácia é garantida pela combinação dos seguintes fatores: consideração as características da criança, ambiente adequado a cada fase do seu desenvolvimento, profissionais preparados, socialização com indivíduos semelhantes e estímulo à criança.
A criança precisa de assistência, cuidado e consequentemente de educação dirigida, que lhe possibilite um amplo desenvolvimento de suas faculdades mentais e físicas, contudo a educação familiar aliada à escolar permitirá que a criança ultrapasse as diversas transformações que ocorrerá ao longo de sua vida, de forma equilibrada e sadia.



REFERÊNCIAS

ANTUNES, C. Educação infantil: prioridade imprescindível. Petrópolis: Vozes, 2004.
ARIÈS, P. Historia Social da criança e da família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981.
BALDWIN, A. L. Teorias do desenvolvimento da criança. São Paulo: Pioneira, 1973.
FERRARI, M. Friedrich Froebel: o formador das crianças pequenas. Revista Nova Escola. Edição Especial: Compilação dos volumes 1 e 2 dos Grandes Pensadores, jul. 2008. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/formador-criancas-pequenas-422947.shtml?page=2>. Acesso em: 06 fev. 2011.  
FREUD, S. Três ensaios sobre a sexualidade. Rio de Janeiro: Editora Imago, 1973.
HERMIDA, J. F. (org.) Educação Infantil: políticas e fundamentos. 1 ed. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2007.
HEIDRICH, G. Educação Infantil no Brasil: cem anos de espera. Revista Nova Escola, mar.2010. Disponível em: < http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/educacao-infantil-no-brasil/educação-infantil-brasil-cem-anos-espera-540838.shtml?page=1>.Acesso em 06 fev. 2011
MUSSEN, P. H. O desenvolvimento psicológico da criança. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1982.
PIAGET, J. O nascimento da inteligência na criança. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1974
KUHLMANN JR., M. Histórias da educação infantil brasileira. Revista Brasileira de Educação- Anped. Campinas: Autores Associados. nº. 14, p. 5-18. mai/jun./jul./Ago. 2000. 




Autoras: Aline Alencar S. Moura, Roziane dos Santos Gonçalves e Valéria Assunção Lima

Fonte: Só Pedagogia

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A Importância dos jogos para o desenvolvimento psicológico da criança


 Imagem: Internet






Este estudo traz a importância de atividades lúdicas exercida na escola, para trabalhar com a criança o aspecto psicológico. Ensinando a mesma a interagir com o próximo, respeitar regras, desenvolver a imaginação, cooperação e com isso promover uma boa auto-estima. Fazendo com que aprenda de forma simples e natural a resolver problemas, pensar, criar e desenvolver o senso crítico. Através da melhoria do entendimento sobre o efeito que os jogos podem trazer, enriquecendo interações humanas.


Introdução


O artigo analisa a importância do jogo e o brincar no aspecto psicológico da criança. O jogo é uma ferramenta que contribui na formação corporal, afetivo e cognitivo, por ter uma característica lúdica se torna mais atrativa e eficiente em seu desenvolvimento, preparando sua inteligência e caráter, tendo conhecimento de quantidade e de espaço. O objetivo deste trabalho é fomentar a importância das atividades lúdicas no processo psicológico das crianças, promoverem o respeito pelas pessoas e pelas regras.


Por intermédio do jogo e do brincar a criança expressa suas fantasias, seus desejos e suas experiências reais de um modo simbólico, onde a imaginação e a criatividade fluem por conta da ludicidade. A metodologia desse trabalho foi por base de revisão bibliográfica. 


Desenvolvimento


Lúdico do latim ludus significa jogo, segundo Nunes (1998).Segundo Huizinga (1995) o jogo pode ser considerado como uma atividade livre, conscientemente tomada como “não-séria” e exterior à vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total.


É uma atividade desligada de todo e qualquer interesse material, com a qual não se pode obter lucro, praticada dentro de limites espaciais e temporais próprios, segundo uma certa ordem e certas regras. Promove a formação de grupos sociais com tendências a rodearem-se de segredo e a sublinharem sua diferença em relação ao resto do mundo por meio de disfarces ou outros meios semelhantes.

Para Platão e outros pensadores da Grécia antiga era importante que as crianças em seus primeiros anos de vida e ambos os sexos deveriam ser educados com jogos educativos e deveria começar aos sete anos.

 Era contra os jogos competitivos, pois não valorizavam o caráter e a personalidade fazendo com que as crianças acabassem tendo uma formação danificada. (NUNES DE ALMEIDA, 1998).Para os egípcios, maias, romanos, os jogos eram passados para os jovens de geração a geração pelos mais velhos onde aprenderiam através de seus ensinamentos valores e conhecimento para as normas sociais do padrão de vida. ‘Com a ascensão do cristianismo, os jogos foram perdendo seu valor, pois eram considerados profanos e imorais e sem nenhuma significação. ’ (NUNES ALMEIDA, 1998).No brincar, a criança lida com sua realidade interior e sua tradição livre da realidade exterior. (MARCONDES, MARINA, 1994) Segundo Marcondes Marina (1994), o brincar com o seu próprio corpo significa descobrir a si mesmo.


O que para uma criança é uma festa, pois começa a inventar joguinhos, como fechar e abrir os olhos como se estivesse achando algo ou escondendo-se.A criança que brinca livremente do seu jeito, a sua maneira acaba transmitindo seus sentimentos, idéias, fantasias.Brincar é também raciocinar, descobrir, persistir e perseverar; aprender a perder percebendo que haverá novas oportunidades para ganhar; esforçar-se, ter paciência, não desistindo facilmente. Brincar é viver criativamente no mundo.


Ter prazer em brincar é ter prazer em viver; (MARCONDES ,MARINA,1994)Brincar sem imposições de regras rígidas e impostas torna o ato de brincar mais espontâneo e acaba que a criança por seu próprio pensar, cria, recria e modifica. Essa vasta possibilidade que o jogo possibilita no momento do brincar proporciona o momento da aprendizagem aguçando sua criatividade, seu pensar e seu modo de agir com o meio.Segundo Marcondes Marina (1994), brincar para criança pequena é fonte de autodescoberta, prazer e crescimento.Segundo Piaget (1975b), os jogos estão diretamente ligados ao desenvolvimento mental da infância; tanto a aprendizagem quanto as atividade lúdicas constituem uma assimilação do real. Almeida (1995) diz que a brincadeira simboliza a relação pensamento-ação da criança, e, sendo assim, constitui-se provavelmente na matriz formas de expressão da linguagem (gestual, falada e escrita).


Os jogos têm um papel no desenvolvimento psicomotor e no processo de aprendizado de domino do social da criança, através dos jogos é possível exercitar os processos mentais e o desenvolvimento da linguagem e hábitos sociais. (DINELLO, 1984 AUPD SERAPIÃO, JOÃO, 2004).O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação do real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função de suas necessidades múltiplas do eu. (PIAGET APUD SERAPIÃO, JOÃO, 2004).


Através de jogos é possível que a criança tenha uma dimensão de tempo (antes - depois), quantidade (pouco - muito), compreensão da seqüência (inicio-fim). (HARTLEY, 1971).Para Pettry (1988) o jogo é uma atividade própria da criança e esta centrada no prazer que proporciona a ela. Brincadeiras com o corpo em movimento auxiliam as crianças a compreender e a relacionar conceitos de: perto, longe, atrás, mais perto, em cima, na frente, ou seja, ela sustenta o que Hartley já havia dito sobre a importância da criança brincar ou jogar.


 É possível desenvolver relacionamentos, pois o ato de brincar, jogar é necessário que haja uma interação, pois assim o aprendizado torna-se mais eficaz para ambas as crianças, pois a troca de conhecimento é vasta.


Bijou (1978) faz uma distinção entre o jogo estruturado e o livre (espontâneo), onde o jogo estruturado é aquele em que a criança se engaja em um determinado ambiente onde os matérias, instruções, ajudas implícitas e explicitas são feitas para ajudarem a criança a alcançar seu objetivo, ou seja é induzida na forma ‘certa’ de brincar e de chegar ao destino desejado da brincadeira. Já no jogo livre (espontâneo) é onde o objetivo e o brinquedo são escolhidos naturalmente pela criança, para Piaget sua importância a esse tipo de jogo é incentivado e motivador no processo da aprendizagem, já que este dá a criança uma razão própria que faz exercer de maneira significativa sua inteligência e sua necessidade de investigação ( PIAGET, 1994, apud GIOCA, MARIA INEZ, 2001).


Segundo o Referencial Curricular Nacional (1998) a criança precisa brincar, ter prazer e alegria para crescer, precisa do jogo como forma de equilíbrio entre ela e o mundo e através do lúdico a criança desenvolve. Segundo Gilles (1998), o jogo se inscreve num sistema de significações que nos leva, por exemplo, a interpretar como brincar, em função da imagem que temos dessa atividade.


É a construção do conhecimento, principalmente, nos períodos sensório motor e pré-operatório. Agindo sobre os objetos, as crianças, desde pequenas estruturam seu espaço, seu tempo, desenvolvem a noção de casualidade chegando a representação e, finalmente a lógica (PIAGET, 1994 apud GIOCA, MARIA INEZ, 2001).


Trabalhando o imaginário Segundo Gallahue (2008) a criança através do jogo trabalha o imaginário, joga como se tal coisa fosse o que não é, como se estivesse em tal sitio onde não está, como se visse tal paisagem que não vê. As coisas no jogo não são o que são, mas como se fossem outra coisa. E as outras crianças que entram no jogo não são o que são, mas como se fossem outras crianças, incorporando personagens. A linguagem do jogo é a do modo condicional: isto seria uma casa, tu serias a cozinheira, eu seria a mãe e, um pouco depois, todas aquelas coisas já o são. Na sua imaginação, a criança forjou uma nova realidade.


Segundo Samulski (2005) o jogo é o melhor caminho que encontra para mostrar a sua personalidade. O pai que queira saber como é o seu filho, que o deixe jogar e, respeitando o seu jogo, observe-o como é.


Se preferir os jogos de composição ou os que se desmancham, daí poderá deduzir o seu espírito de construção ou de conquista, se preferir os de invenção ou os de análise, poderá deduzir uma tendência para a vida ativa ou para a especulação; se preferir os jogos sossegados ou os violentos poderá deduzir a tendência para a vida contemplativa ou ativa; se joga com ordem ou desordenadamente, se é constante nos seus jogos ou se os varia a cada momento, se prefere jogar acompanhado ou quer jogar sozinho, se jogando oferece a vitória ou a retém se manda ou obedece. Através do jogo passa toda a psicologia da criança; e a personalidade do adulto na hora do trabalho ou do convívio social, é ainda o reflexo da personalidade que demonstrou com os seus jogos quando era menino.


Conclusão


Concluímos que através dos jogos as crianças desenvolvam um melhor relacionamento com outras crianças e com adultos e por meio dos jogos poderem interagir com o meio em que estão inseridas lhes proporcionando um autoconhecimento de si próprias tendo vista que essas descobertas as fascinam, pois um mundo novo é inserido e descoberto.





Autor/fonte:
ALMEIDA, Cássia Santos; LIMA, Tamiris; MENDONÇA, Paulo Marconi

Educação Física, Faculdade Integrada do Ceará







Referências Bibliográficas


BROUGÈRE, Gilles: A criança e a cultura lúdica; 19 de novembro de 1998 ARTIGOS; http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-25551998000200007&script=sci_arttext&tlng=en. GIOCA, Maria Inez: Monografia; O jogo e a aprendizagem na criança de 0 a 6 anos, Universidade da Amazônia, 2001 MARCHI, Wanderley Júnior: JOGO, ESPORTE E SOCIEDADE: considerações preliminares para uma análise correlacional  MARCONDES, Marina Machado: Brinquedo-sucata e a criança: a importância do brincar: atividades e materiais, Publicado por Edições Loyola, 2001.


 Nunes, Paulo de Almeida: Educação lúdica - o prazer de estudar técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Edições Loyola, 1998. SERAPIÃO; João de Aguiar: Educação Inclusiva: jogos para o ensino de conceitos; Publicado por Editora Papirus Ltda, 2004. GALLAHUE,David  L. Compreendendo o desenvolvimento motor de bebês,crianças,adolescentes e adultos, São Paulo- SP – Brasil, Ed. Phorte, 2005. MURCIA,Juan Antônio Moreno. Aprendizagem através dos jogos, Porto Alegre- RS –Brasil, Ed. Artmed, 2005. CATUNGA,Ricardo. Brincar,criar,vivenciar na escola, Rio de Janeiro- RJ - Brasil,Ed. Sprint, 2005.





Fonte: A Importância dos jogos para o desenvolvimento psicológico da criança 


http://www.joguinhosdemenino.com/blog-dos-meninos/a-importancia-dos-jogos-para-o-desenvolvimento-psicologico-da-crianca#ixzz2c4FJdx1S

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Importância dos Brinquedos Pedagógicos feitos de Sucata


Imagem: Ziraldo



A relevância da Educação Infantil nos dias atuais é tamanha que é possivel ver de forma significativa a evolução da visão social sobre a criança, as preocupações, assim como leis que amparam e dão direitos a elas. Hoje, há um estímulo precoce para aprendizagem, visando o futuro e o desenvolvimento das capacidades motoras, psicológicas, afetivas e, principalmente, o relacionamento social, considerando a educação escolar como ponte para a formação da criança. E quando acrescentamos o ensino com conscientização, preservação, o aprendizado fica mais completo, como brincar com brinquedos reciclados, uma forma diverdita de orientar.

Educação Infantil e a Importância do Brincar

Outrora na Idade Média a criança não era vista com olhos diferentes, como alguém que precisasse de um cuidado especial ou de uma educação específica, era tratada igual aos adultos, só lhe faltava ainda o treinamento para as atividades necessárias para sobrevivência. Dessa forma, eram consideradas como uma subclasse que amadureceria e tornaria-se um ser "racional".
Já na Idade Mordena, há atenção e cuidados específicos para criança, que foram percebidos ser diferente dos adultos. No seculo XIX, registros nos mostram Friedrich Froebel, que viveu de 1782 a 1852 e foi um fundador dos primeiros modelos de instituição para educação infantil, utilizava jogos e brincadeiras no aprendizado.
Froebel defendia ainda que, quanto mais ativa é a mente da criança, mais ela é receptiva a novos conhecimentos. Assim, considerando os sentidos da criança, o contato que ela cria com o mundo, respeitando os estágios de capacidade de aprendizado e suas características específicas, é que deve ser o ponto de partida para o ensino. (FERRARI 2008)
Mas, somente em 1988 quando houve a Constiuição da República, começou-se a tratar a educação com importância,  dando o direito a criança de tê-la. Incumbiu-se o governo de garantir esse direito. Em 1990, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolecente) reafirmou esses direitos constitucionais em relação à Educação Infantil. Quatro anos depois, o MEC (Ministério da Educação e Cultura) publicou um documento para expansão de vagas e melhorias de atendimento, ressaltando a necessidade da qualificação do profissional e uma formação para atender a Educação Infantil.
A Educação Infantil tornou se responsabilidade de Municipio, na rede pública de ensino, oferecido também pela iniciativa privada, sob a supervisão do sistema municipal de ensino. Saliento que não é obrigatoriedade o Município oferecer a Educação Infantil. Cabe ao município através de um estudo oferecê-lo.
Vemos a relevância da Educação Infantil crescendo com passar dos tempos, o que tem acarretado em crianças melhores em todos os aspectos. Umas das características, dentre muitas, é o brincar acompanhando o crescimento dessa educação diferenciada da pré-escola. Assim, também temos estudiosos que ressaltam que a importancia do brincar na formação educacional é de significado tão grande para criança como trabalhar para um adulto, isso a faz feliz e a torna mais propensa a ter uma pesonalidade bondosa e amável.

Brincar

Piaget diz que a criança exploradora, construindo seu conhecimento, dando enfasê na inter-relação do ambiente com o individuo, compreende a utilidade e funcionamento das estruturas do mundo.
Vygotsky aponta o brincar na primeira infância um meio para o desenvolvimento psicológico e sócio-cultural da criança, sendo fundamental pelo fato de poder criar situações diversas, de forma que imaginaria aquilo que passaria despercebido pela criança na brincadeira se torna regra.
Wallon defende o brincar e o brinquedo juntos como uma forma de estruturação do Eu da criança. Esse é um meio que possibilita a construção da personalidade. Quando se tem um espaço organizado para isso e a disponabilidade desse material, isso fundamentaria a fluidez das emoções e pensamentos, dando-lhe mais conhecimento para se desenvolver uma pessoa completa.
Brincar nos mostra a importância de se movimentar, pois através disso nos relacionamos com os outros, meio ambiente, aprendemos mais sobre nós, limites, capacidades e solucionar problemas. Ainda encontramos pessoas que não desenvolveram as habilidades básicas, prejudicando assim seu desenvolvimento posterior. Por isso, a importância da atividade física, principalmente nas séries iniciais, como em todas as séries. Essa sociabilidade nos remete a uma caracteristica que é pecebida: a participação das atividades apenas por prazer, sem espera de recompensa ou castigo, assim, brincando, a criança busca um sentido para vida.

Brincar com Brinquedos Reciclados

Todo brinquedo confeccionado com material reciclável tende a dispertar nas crianças novos interesses, desenvolve grandiosamente a criatividade, mostrando as possibilidades de transformar objetos e também a destreza manual na confecção dos brinquedos. Pode ser em grupo, ensinando a interação social e a dividir o espaço. Essa atividade é recebida com muita euforia nas aulas, há muitas possibilidades para criação, as cores, formas, objetos, fazendo a criatividade se desenvolver mais ainda.
Agora imaginemos todo esse aprendizado, junto com conscientização de meio ambiente, já que nos dias de hoje se fala tanto em qualidade de vida, sustentabilidade.
Existem inúmeras possibilidades de práticas pedagógicas para se realizar isso dentro de sala de aula. Imaginemos projetos e trabalhos escolares que podemos fazer nas datas comemorativas, como semana do Meio Ambiente, dia da árvore ou dia da água. Enfim, acredito que daríamos, além de ensino, também a conscientização.
Brincar com brinquedo reciclado não é apenas lazer, estimulação da criatividade ou outros aspectos relevantes na criança, ou ainda um bom gerenciamento do lixo. Quero abordar esse assunto como algo mais complexo, pois ao ter essa prática exercemos uma ação direta no meio ambiente e, consequentemente, na economia, no comportamento humano e na cultura de nosso país, que ainda não tem a prática habitual da reciclagem. Estamos orientando e conscientizando para a Educação Ambiental e os resultados serão grandes, pois haverá mudança nos valores e comportamento das crianças, como alunos e pessoas em sociedade.

Por que reciclar?

Hoje, vivemos um crescimento populacional muito grande. Com isso, crescem as indústrias e a  quantidade de residuos orgânicos e inorgânicos. Dados de pesquisas nos mostram que, desde 1980, a produção desses resíduos tem aumentado consideravelmente. Para ter uma pequena noção, a produção de lixo por dia de uma pessoa é aproximadamente de 5 kg. Imagine isso em nível mundial. Só no Brasil, produzimos 240.000 toneladas por dia, incluindo todo tipo de lixo doméstico, tecnológicos, radioativos, hospitalar, agrícola, industrial. Por isso, a reciclagem, que significa transformar resíduos já utilizados em novos produtos, tem sido uma das soluções para uma vida sustentável.

Importância da reciclagem

Entendamos que, quando reciclamos, além de preservar o meio ambiente e gerar riquezas materiais com os produtos reciclados (vidro, papel, plástico, alumínio...), contribuímos para a diminuição da poluição de solo, ar e água. Essa relevância se abrange a outros segmentos do nosso dia a dia, que nos atingem de forma direta e indireta, como a economia, saúde, entre outros.

Os benefícios da reciclagem para sociedade

A sociedade tem sido umas das mais benificiadas com o trabalho da reciclagem. Hoje, muitas empresas estão adotando o processo de reciclagem para reduzir de forma significativa os custo da produção, visando menos poluição para o meio ambiente principalmente para as metrópoles. Estão sendo gerados muitos empregos através deste trabalho. Cooperativas estão sendo criadas e dando oportunidade e renda para muitas famílias carentes.
Hoje, esta orientação está nas escolas. Muitas crianças, adolencentes e jovens, são orientados a separar seu lixo dentro de casa, sabendo que existe a reciclagem para todo tipo de lixo, principamente os eletrônicos. Há empresas que adotaram certas medidas que podem ser tomadas como exemplo. Quando uma pessoa vai comprar uma pilha ou qualquer tipo de bateria, se pede para que leve as que ele não usa mais e sejam encaminhadas para os centros de reciclagem.
Se todos soubermos como utilizamos os recursos que temos, seja orgânico ou inorgânico, com consciência em breve teremos um mundo mais limpo, sustentável e mais desenvolvido. É nesse caminho que poderemos alcançar o tão sonhado desenvolvimento sustentável do planeta.

Escola, familia e os cuidados com o meio ambiente

A educação ambiental nasceu para dar consciência ecológica ao ser humano. Essa educação na familia e escola estão totalmente ligadas como um ciclo completo, precisam andar em conjunto para funcionar. São as fonte de aprendizado das primeiras idades, pois devem iniciar esse ensinamento. A criança precisa ser orientada a preservar a natureza no seio familiar e na escola, isso nos mostra o quão importante é que a familia tenha uma base de conhecimento prévio para passar. E na escola principalmente, pois é onde nascem os formadores de ideias.
Segundo Munhoz (2004), uma das formas de levar educação ambiental à comunidade é pela ação direta do professor na sala de aula e em atividades extracurriculares.  Através de atividades como leitura, trabalhos escolares, pesquisas e debates, os alunos poderão entender os problemas que afetam a comunidade onde vivem; levados a refletir e criticar as ações de desrespeito à ecologia, a essa riqueza que é patrimônio do planeta, e, de todos os que nele se encontram. E ainda diz: Os professores são a peça fundamental no processo de conscientização da sociedade dos problemas ambientais, pois, buscarão desenvolver em seus alunos hábitos e atitudes sadias de conservação ambiental e respeito à natureza, transformando-os em cidadãos conscientes e comprometidos com o futuro do país.
Esse laço tende a se fortalecer mais para que obtenha sucesso na orientação ambiental pedagógica, lembrando que estamos visando um futuro não distante. É preciso agirmos com consciência.

Considerações finais

Como futuros docentes, temos que estar atentos a todos esses assuntos que nos englobam no dia a dia, ter o respeito pela criança de hoje e vê-la como o futuro do amanhã, pois hoje estamos nos tornando os formadores de ideias, comportamento e atitudes.
Saber que uma criança precisa viver suas fases, que está buscando um sentido para vida e nós seremos seu norteadores, mais uma vez me mostra a relevância que temos na sociedade, professores e futuros professores.
Quando associamos essa educação com sustentabilidade, é mais um desafio que temos de transpor. Ajudar a mudar uma cultura onde não há hábitos saudáveis nem para nós nem a natureza, pelo menos a mim isso me inspira a buscar ser o melhor, não apenas para mim, mas também para aqueles que irão aprender comigo. De certo modo, já sabemos o que fazer, agora nos basta agir. 

 

Referencia Bibliográficas

ANTUNES, C. Educação Infantil Prioridade imprescindível. Petrópolis: Vozes 2004
Cria Revista da Educação Infantil (Revista). Ano 1. Numero 2 Março/Abril/Maio.
FERRARI, M. Friedrich Freobel: o formador das crianças pequenas. Revista Nova Escola. Edição Especial: compilação dos volumes 1 e 2 dos Grande Pensadores. jul 2008.
BALDWIN, A. L. Teorias do Desenvolvimento da Criança. São Paulo: Pioneira, 1973.
REIGOTA, Marcos O que é Educação Ambiental? São Paulo: Ed. Brasiliense, 1994

TRAVASSOS, Edson Gomes. A prática da Educação Ambiental nas Escolas. Porto Alegre: Mediações, 2006.







Autor: Kaio Cassio Delmondes Dias

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A importância do brincar na infância

Imagem: Internet

A personalidade da criança vai se formando de acordo com as experiências que ela vivencia dentro do núcleo familiar, principalmente através da maneira como os  pais se relacionam com ela, entre si e no âmbito social. A criança é muito sensível ao ambiente, ao que ela percebe em relação ao mesmo. As brincadeiras ajudam muito a criança a representar aquilo que vivencia dentro de sua família, tanto os momentos prazerosos, quanto os difíceis. É um espaço que garante a ela a segurança para poder representar aquilo que desejar.

O grande instrumento de aprendizado para a criança é seu corpo. É ele que permite à criança vivenciar suas experiências e aprender com elas. É  através dos órgãos dos sentidos que ela vai se apropriando deste mundo e as brincadeiras tem inúmeras funções, entre elas: coordenação motora e equilíbrio através de movimentos variados que o brincar permite,  aquisição e desenvolvimento da linguagem, socialização, aprofundamento de vínculos. Através do brincar a criança expressa a sua vontade, compreende que necessita respeitar a vontade do outro, seus limites e experencia-se  em vários papéis (herói, a mãe, o pai, o filhinho/a, o cahorrinho, princesa, bruxa), inaugurando a fase da vivência de suas próprias fantasias, tão importantes para a construção do adulto que será capaz de sonhar.

A melhor brincadeira é aquela que surge da própria criança. É a criança que indica aos adultos aquilo que necessita. O problema é que vivemos em uma sociedade de consumo que não respeita o tempo da criança e oferece uma série de brinquedos descartáveis, desnecessários, inúteis e muitas vezes até prejudiciais ao desenvolvimento sadio da mesma.

Nas primeiras semanas de vida a criança não tem necessidade de brinquedo algum, pois naturalmente entra em relação com o seu próprio corpo e brinca principalmente com sua mãozinha (por volta dos dois meses). É importante deixar que ela explore seu corpinho, pois aos poucos vai exercitando a coordenação do seu olhar com as partes do seu corpo e vai se “descobrindo”. O olhar, o toque suave e as brincadeiras dos pais são de fundamental importância para a construção da confiança na criança. A voz dos pais pode ser um elemento muito divertido para os bebês. Quem já não presenciou um bebê as gargalhadas enquanto um dos pais muda a entonação da voz ou brinca de esconder seu rosto atrás de um paninho?

É importante que os pais estejam disponíveis em alguns momentos para entrar na brincadeira da criança, cientes de que não devem conduzir a mesma. O adulto deve permitir que a própria criança descubra sua forma de condução, e possa agir com espontaneidade exercendo a criatividade e explorando as várias formas de prazer. Ela pode sugerir que um dos pais seja o filhinho naquele dia, ou que ela seja o professor e os pais os alunos, etc. É bom lembrar que a criança através da brincadeira está exercitando a todo momento seu dom de criar, sua capacidade de fantasiar e resolver seus conflitos, por isso, os pais devem estar muito atentos para não reduzir o tempo do brincar em troca de atividades extra-curriculares que sobrecarregam a criança e a deixam cansada e sem vitalidade para aprender aquilo que realmente é importante para sua vida.



Autora: Patricia Cuocolo - Psicóloga (PUC-SP) com formação em Antroposofia (SBMA), Arte do Brincante para Educadores (Instituto Brincante), Pedagogia Profunda (Mosaicos), Rebirthing (Instituto de Renascimento de São Paulo) e Practitioner em PNL (INEXH). Aprofundou seus estudos na abordagem Junguiana, Transpessoal e na Psicossíntese.

Fonte: Blog Espaço Integração

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A importância do brincar – Porque brincar é coisa séria!



Imagem: Internet


Só as crianças sabem o que procuram, disse o principezinho. Perdem tempo com uma boneca de pano, e a boneca se torna muito importante, e choram quando a gente toma...
- Elas são felizes... disse o guarda-chaves.
(O pequeno príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

Elas são felizes... crianças são felizes!
Crianças são genuínas e sabem valorizar aquilo que realmente importa. E a forma mais sincera delas demonstrarem isso, é brincando.
O brincar é mais que gostoso, é fundamental. Brincar envolve aspectos emocionais, físicos, cognitivos, sócio afetivos e motores. É importante para que a criança se desenvolva de forma adequada, integral, completa e cresça saudável, tornando-se um adulto com habilidades necessárias.
E não é preciso ‘inventar moda’ na hora de brincar! Claro, os brinquedos sofisticados de hoje em dia são bacanérrimos, mas, brincar vai muito além de tecnologia de ponta e pode ser bem simples. O importante é o brincar, não o brinquedo.
As crianças falam ao brincar. Demonstram sentimentos, angústias, alegrias, medos, raiva e se expressam através de desenhos, jogos e brincadeiras diversas. É um momento só dela, onde realidade se mistura com fantasia e ela pode ser quem ela quiser e que permitirá a revelação de suas relações com o mundo e consigo mesmo.
Percebem a importância?! Brincadeiras não existem para ‘distrair’ crianças, passar o tempo, não é perda de tempo. Elas são essenciais, regulam os comportamentos, ensinam sobre a vida, desenvolvem habilidades, estimulam o raciocínio, trabalham os músculos e o crescimento físico, despertam emoções, exercitam a imaginação, favorecem a curiosidade, inspiram a inteligência, abrem os olhos pras diferenças, incitam à criatividade, ensinam respeito ao próximo e ao meio ambiente, auxiliam na concentração, movimentam o corpo, trabalham a socialização, apresentam o mundo! Brincar é muito sério! Brincar é um direito da criança, como apresentado na Lei 8.069, de 13 de Julho de 1990, denominada como Estatuto da Criança e do Adolescente, no Capítulo II, Art. 16º, Inciso IV.
Dia desses assisti um filme encantador, que indico muito: “O menino de Ouro” (Foster – Reino Unido 2011). A história é linda e trata de um assunto delicado: a perda de um filho de um casal, que não consegue engravidar novamente, no qual a esposa tem uma Loja de Livros Infantis (mas não os lê) e o esposo tem uma Fábrica de Brinquedos (mas não brinca). Um ‘anjo’ chamado Eli é ‘adotado’ por eles, e os devolve a vida, através do brincar! Eli leva os novos pais a um Parque de Diversões e eles passam o dia brincando e redescobrindo a paixão pela vida. Brincar é viver. Pra crianças ou adultos, é excepcional. Existem muitos tipos de brincadeiras, algumas exigem a presença de grupos, outras são solitárias, outras precisam de observação constante, mas todas têm seu significado e importância.
Como dizia o ‘Pequeno Príncipe’, os adultos se acham sérios demais e se perdem por conta disso. Perdemos o brilho, perdemos esperança, perdemos amor quando paramos de brincar. Os pais precisam brincar com os filhos, pois são exemplos para os pequenos. Pensamos que não, mas as crianças são ‘radares’ ligados o tempo todo nos comportamentos e atitudes dos pais e dos adultos que convivem em torno delas. É preciso participar do momento lúdico dos pequenos e, quando eles crescerem, também! Quando seu filho se tornar um adolescente e pedir um skate, compre dois e vá brincar com ele! Brincar juntos aumenta o grau de confiança e fortalece o vínculo entre pais e filhos.
Você brinca com seu filho? Você investe tempo nisso? Você sabe quais brincadeiras são importantes e/ou necessárias para o quê e em quais idades? Vejamos:
Até os 2 anos de idade:
A brincadeira precisa estimular os sentidos do pequeno. A criança está na fase sensório-motora e é preciso muita cor, música e expressões faciais. Objetos de texturas, tamanhos, cheiros e cores diferentes para a criança segurar, apertar, passar as mãos e até colocar na boca. Brinquedos de empilhar, encaixar, movimentar com as mãos, chocalhos, bolas. Contar histórias representando os acontecimentos citados de forma alegre e divertida. Objetos de puxar e empurrar que desenvolvem o equilíbrio e os músculos. Brincar de apontar e falar as partes do corpo e objetos ao longe. Não se engane, a criança entende muito bem o que você está fazendo! É preciso muita, muita, muita repetição! A música desenvolve a linguagem e os livrinhos são importantes para eles se familiarizarem com as letras, preparando-os para as próximas fases. Coloque a criança no espelho e o apresente para ele mesmo! Caixas com brinquedos variados para a criança tirar e guardar de volta. Utilize barra de apoio na parede para estimular a sustentação do corpo, a coragem de se arriscar a levantar e brinquedos que estimulem a curiosidade.
De 3 a 4 anos de idade:
Nessa fase começam as brincadeiras de faz de conta e é comum a criança repetir tudo que vê os adultos fazendo e representar cenas de seu cotidiano. É a idade em que as meninas querem ser princesas e os meninos, super heróis. É uma idade bacana para aprender muitas coisas, inclusive, senso de responsabilidade. É possível brincar de casinha, escolinha, atividades de profissões, bicicleta, e atividades diárias dos adultos. Essas brincadeiras permitem que as crianças se relacionem com problemas e soluções que passam do fazer imaginário para o aprender real. É importante incluir brincadeiras que exigem mais coordenação motora, brincar com baldinhos na areia e montar quebra-cabeças com peças grandes, por exemplo. Brinquedos de montar e desmontar e bonecos com roupas fáceis de serem tiradas e vestidas. Pentear, despentear, fazer e desfazer. Atividades que desenvolvam percepção espacial e equilíbrio. Caixas grandes para ele entrar e sair, piscina de bolinhas, pula-pula, piscina. Brincadeiras de desenhar, pintar, modelar já podem começar nessa fase e estimulam a criatividade, raciocínio e concentração. Os amigos imaginários aparecem por aqui e conversar com os pequenos nessa idade pode ser surpreendente! Lembrando, claro, que é importante manter um tom de voz adequado, estar na altura da criança, falar de forma alegre e abusar nas expressões faciais.
5 a 6 anos de idade:
Brincadeiras motoras (de movimento) e de representação (faz de conta) continuam e se aprimoram. As de representação se aprimoram de modo que se esvaem, ou seja, a criança já começa a percebê-la como ser pensante. Tem gostos e personalidade! A criança começa a reparar que pode produzir coisas para oferecer ao outro, então a pintura e os desenhos também se aprimoram e agora são presentes para os outros. Massinha é estimulante e outros materiais, como argila, terra e areia. Fase adequada para os instrumentos musicais fazerem mais sentido e desenvolverem habilidades. É a hora de pensar em um bichinho de estimação! Ensinar o cuidado, o carinho. Os esportes também são importantes agora, desenvolvem a musculatura, respiração, psicomotricidade, respeito às regras, hierarquia e senso de equipe.  Essa interação com outras crianças deve ser observada de modo especial, pois é a oportunidade que os pais têm para passarem valores e princípios para os pequenos. Outras brincadeiras divertidas e gostosas de brincar junto das crianças nessa idade são: pega-pega, esconde-esconde, o mestre mandou, pega palito, dança da cadeira... Viram como é possível se divertir sem a ajuda de brinquedos mirabolantes e os famosos vídeo games? Sabem aquelas brincadeiras que vocês, pais, brincavam na infância? É hora de relembrar e ensinar os filhos! Ah, e brincar com eles, claro.
7 a 8 anos de idade:
Fase das descobertas... De alfabetização mais intensa, brincadeiras em grupo, laços de amizade, dúvidas e mais dúvidas, curiosidade sobre tudo. Momento de vínculo e estímulo. Se nas fases anteriores foi tomado o cuidado de estimular a criança a brincar, desenvolver sua expressão, lidar com os conflitos e encontrar soluções pra eles, aqui será mais fácil de interagir com o filho. Nem só os brinquedos são importantes nessa idade. São essenciais atividades lúdicas, assistir filmes, estimular a leitura, construir objetos e brincar com eles, conhecer materiais novos, além de participar de atividades que exijam mais raciocínio lógico, como jogos de cartas e tabuleiro, revistas de passatempo e quebra-cabeças mais elaborados. Aqui também é importante se preocupar com o sedentarismo. Jogar vídeo game nessa fase é legal, a maioria das crianças dessa faixa etária já dominam o computador e todo tipo de jogos eletrônicos. Mas é importante ficar atento e conduzir o filho a se preocupar com a própria saúde. Leve a criança para o mar, leve para o parque, procure atividades ao ar livre e que estimulem movimentos corporais. Deixe os games para aqueles dias mais frios ou chuvosos. Além da fase da construção da aprendizagem, é também a da competição. A criança precisa de atividades que a introduzam no mundo social.
De 8 a 12 anos de idade:
Fase deliciosa... A criança interage muito, é esperta, competitiva, quer aprender sobre tudo e é curiosa. Aproveite e estimule muito! É o caminho para uma adolescência tranquila. Nessa idade a criança já é capaz de entender as regras. Bacana brincar mais com cartas, jogos de tabuleiros, e intensificar os esportes. Abuse dessa fase pra ensinar disciplina, obediência, tolerância às frustrações e, a habilidade de ‘saber perder’. Não deixe seu filho ganhar jogo algum de propósito. Ensine a ele que a vida nem sempre lhe será favorável, mas que ele pode sempre seguir em frente. Que nem sempre ele vai vencer, mas, se não tentar, não vencerá jamais. Ensine que ele precisa tolerar as outras pessoas e respeitá-las como são. Que ele jamais poderá mudá-las, mas que pode mudar o próprio comportamento em relação a elas, construindo relacionamentos saudáveis. Os jogos fazem com que a criança tenha consciência do outro, e a apresentam o mundo socializado, regido pelas regras. Estimule jogos e brincadeiras que envolvam além do esforço físico, estratégias e raciocínio mais elaborado, como xadrez, mímicas, entre outros.
Percebem quantas coisas importantes podem ser ensinadas aos filhos, brincando?! Brincar é fantástico.
Importante: essas são características gerais. Mesmo com idades, residências, momento de vida, estímulos e preocupações iguais, cada criança tem o próprio tempo de desenvolvimento. É preciso respeitar este tempo, observando o que é considerado esperado ou não para a idade, mas com cuidado. É essencial adaptar tudo, absolutamente tudo, para sua própria realidade e de seu filho. Use e abuse da criatividade, respeite os próprios limites e dos pequenos e divirta-se ao seu modo!
Lembre-se: atente-se à segurança da criança, promova um ambiente acolhedor, seguro, divertido e alegre. Ensine, apoie, estimule. Seu filho precisa disso! E mais, a capacidade intelectual de uma criança depende 70% dos estímulos recebidos até os 3 anos de idade. Aproveite e invista nesse tempo!



Talita Guedes Bittioli, psicóloga graduada pela Universidade Metodista de São Paulo, com extensão na abordagem Fenomenológico-Existencial. Palestrante em Escolas sobre diversos temas relacionados ao contexto Infantil, para pais e alunos. Ainda não é mãe, mas é apaixonada pela maternidade e principalmente pela Família.