ENCONTROS DE ARTE EDUCAÇÃO - FEVEREIRO

ENCONTROS DE ARTE EDUCAÇÃO

"NARRATIVAS LÚDICAS DA INFÂNCIA - A música e o ritmo, O corpo e a dança, A escuta e o brincar"

EM BREVE!!!

EDUCADORES, PAIS, ARTISTAS, ESTUDANTES E TODOS OS INTERESSADOS EM ARTE, EDUCAÇÃO E LUDICIDADE ESTÃO CONVIDADOS!


Abordando a importância do reconhecimento do brincar como linguagem própria e fundamental da criança e meio por excelência para a construção de conhecimentos sobre si, sobre a relação com o outro e as coisas do mundo. Serão apresentadas aos participantes as contribuições da brincadeira para o desenvolvimento integral, bem como questões presentes na sociedade contemporânea que impedem a concretização de uma infância plena e permeada pela ludicidade.

Para mais informações acesse: www.ateliegiramundo.com ou envie uma mensagem para contato@ateliegiramundo.com

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terça-feira, 3 de setembro de 2013

A Importância dos jogos para o desenvolvimento psicológico da criança


 Imagem: Internet






Este estudo traz a importância de atividades lúdicas exercida na escola, para trabalhar com a criança o aspecto psicológico. Ensinando a mesma a interagir com o próximo, respeitar regras, desenvolver a imaginação, cooperação e com isso promover uma boa auto-estima. Fazendo com que aprenda de forma simples e natural a resolver problemas, pensar, criar e desenvolver o senso crítico. Através da melhoria do entendimento sobre o efeito que os jogos podem trazer, enriquecendo interações humanas.


Introdução


O artigo analisa a importância do jogo e o brincar no aspecto psicológico da criança. O jogo é uma ferramenta que contribui na formação corporal, afetivo e cognitivo, por ter uma característica lúdica se torna mais atrativa e eficiente em seu desenvolvimento, preparando sua inteligência e caráter, tendo conhecimento de quantidade e de espaço. O objetivo deste trabalho é fomentar a importância das atividades lúdicas no processo psicológico das crianças, promoverem o respeito pelas pessoas e pelas regras.


Por intermédio do jogo e do brincar a criança expressa suas fantasias, seus desejos e suas experiências reais de um modo simbólico, onde a imaginação e a criatividade fluem por conta da ludicidade. A metodologia desse trabalho foi por base de revisão bibliográfica. 


Desenvolvimento


Lúdico do latim ludus significa jogo, segundo Nunes (1998).Segundo Huizinga (1995) o jogo pode ser considerado como uma atividade livre, conscientemente tomada como “não-séria” e exterior à vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total.


É uma atividade desligada de todo e qualquer interesse material, com a qual não se pode obter lucro, praticada dentro de limites espaciais e temporais próprios, segundo uma certa ordem e certas regras. Promove a formação de grupos sociais com tendências a rodearem-se de segredo e a sublinharem sua diferença em relação ao resto do mundo por meio de disfarces ou outros meios semelhantes.

Para Platão e outros pensadores da Grécia antiga era importante que as crianças em seus primeiros anos de vida e ambos os sexos deveriam ser educados com jogos educativos e deveria começar aos sete anos.

 Era contra os jogos competitivos, pois não valorizavam o caráter e a personalidade fazendo com que as crianças acabassem tendo uma formação danificada. (NUNES DE ALMEIDA, 1998).Para os egípcios, maias, romanos, os jogos eram passados para os jovens de geração a geração pelos mais velhos onde aprenderiam através de seus ensinamentos valores e conhecimento para as normas sociais do padrão de vida. ‘Com a ascensão do cristianismo, os jogos foram perdendo seu valor, pois eram considerados profanos e imorais e sem nenhuma significação. ’ (NUNES ALMEIDA, 1998).No brincar, a criança lida com sua realidade interior e sua tradição livre da realidade exterior. (MARCONDES, MARINA, 1994) Segundo Marcondes Marina (1994), o brincar com o seu próprio corpo significa descobrir a si mesmo.


O que para uma criança é uma festa, pois começa a inventar joguinhos, como fechar e abrir os olhos como se estivesse achando algo ou escondendo-se.A criança que brinca livremente do seu jeito, a sua maneira acaba transmitindo seus sentimentos, idéias, fantasias.Brincar é também raciocinar, descobrir, persistir e perseverar; aprender a perder percebendo que haverá novas oportunidades para ganhar; esforçar-se, ter paciência, não desistindo facilmente. Brincar é viver criativamente no mundo.


Ter prazer em brincar é ter prazer em viver; (MARCONDES ,MARINA,1994)Brincar sem imposições de regras rígidas e impostas torna o ato de brincar mais espontâneo e acaba que a criança por seu próprio pensar, cria, recria e modifica. Essa vasta possibilidade que o jogo possibilita no momento do brincar proporciona o momento da aprendizagem aguçando sua criatividade, seu pensar e seu modo de agir com o meio.Segundo Marcondes Marina (1994), brincar para criança pequena é fonte de autodescoberta, prazer e crescimento.Segundo Piaget (1975b), os jogos estão diretamente ligados ao desenvolvimento mental da infância; tanto a aprendizagem quanto as atividade lúdicas constituem uma assimilação do real. Almeida (1995) diz que a brincadeira simboliza a relação pensamento-ação da criança, e, sendo assim, constitui-se provavelmente na matriz formas de expressão da linguagem (gestual, falada e escrita).


Os jogos têm um papel no desenvolvimento psicomotor e no processo de aprendizado de domino do social da criança, através dos jogos é possível exercitar os processos mentais e o desenvolvimento da linguagem e hábitos sociais. (DINELLO, 1984 AUPD SERAPIÃO, JOÃO, 2004).O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação do real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função de suas necessidades múltiplas do eu. (PIAGET APUD SERAPIÃO, JOÃO, 2004).


Através de jogos é possível que a criança tenha uma dimensão de tempo (antes - depois), quantidade (pouco - muito), compreensão da seqüência (inicio-fim). (HARTLEY, 1971).Para Pettry (1988) o jogo é uma atividade própria da criança e esta centrada no prazer que proporciona a ela. Brincadeiras com o corpo em movimento auxiliam as crianças a compreender e a relacionar conceitos de: perto, longe, atrás, mais perto, em cima, na frente, ou seja, ela sustenta o que Hartley já havia dito sobre a importância da criança brincar ou jogar.


 É possível desenvolver relacionamentos, pois o ato de brincar, jogar é necessário que haja uma interação, pois assim o aprendizado torna-se mais eficaz para ambas as crianças, pois a troca de conhecimento é vasta.


Bijou (1978) faz uma distinção entre o jogo estruturado e o livre (espontâneo), onde o jogo estruturado é aquele em que a criança se engaja em um determinado ambiente onde os matérias, instruções, ajudas implícitas e explicitas são feitas para ajudarem a criança a alcançar seu objetivo, ou seja é induzida na forma ‘certa’ de brincar e de chegar ao destino desejado da brincadeira. Já no jogo livre (espontâneo) é onde o objetivo e o brinquedo são escolhidos naturalmente pela criança, para Piaget sua importância a esse tipo de jogo é incentivado e motivador no processo da aprendizagem, já que este dá a criança uma razão própria que faz exercer de maneira significativa sua inteligência e sua necessidade de investigação ( PIAGET, 1994, apud GIOCA, MARIA INEZ, 2001).


Segundo o Referencial Curricular Nacional (1998) a criança precisa brincar, ter prazer e alegria para crescer, precisa do jogo como forma de equilíbrio entre ela e o mundo e através do lúdico a criança desenvolve. Segundo Gilles (1998), o jogo se inscreve num sistema de significações que nos leva, por exemplo, a interpretar como brincar, em função da imagem que temos dessa atividade.


É a construção do conhecimento, principalmente, nos períodos sensório motor e pré-operatório. Agindo sobre os objetos, as crianças, desde pequenas estruturam seu espaço, seu tempo, desenvolvem a noção de casualidade chegando a representação e, finalmente a lógica (PIAGET, 1994 apud GIOCA, MARIA INEZ, 2001).


Trabalhando o imaginário Segundo Gallahue (2008) a criança através do jogo trabalha o imaginário, joga como se tal coisa fosse o que não é, como se estivesse em tal sitio onde não está, como se visse tal paisagem que não vê. As coisas no jogo não são o que são, mas como se fossem outra coisa. E as outras crianças que entram no jogo não são o que são, mas como se fossem outras crianças, incorporando personagens. A linguagem do jogo é a do modo condicional: isto seria uma casa, tu serias a cozinheira, eu seria a mãe e, um pouco depois, todas aquelas coisas já o são. Na sua imaginação, a criança forjou uma nova realidade.


Segundo Samulski (2005) o jogo é o melhor caminho que encontra para mostrar a sua personalidade. O pai que queira saber como é o seu filho, que o deixe jogar e, respeitando o seu jogo, observe-o como é.


Se preferir os jogos de composição ou os que se desmancham, daí poderá deduzir o seu espírito de construção ou de conquista, se preferir os de invenção ou os de análise, poderá deduzir uma tendência para a vida ativa ou para a especulação; se preferir os jogos sossegados ou os violentos poderá deduzir a tendência para a vida contemplativa ou ativa; se joga com ordem ou desordenadamente, se é constante nos seus jogos ou se os varia a cada momento, se prefere jogar acompanhado ou quer jogar sozinho, se jogando oferece a vitória ou a retém se manda ou obedece. Através do jogo passa toda a psicologia da criança; e a personalidade do adulto na hora do trabalho ou do convívio social, é ainda o reflexo da personalidade que demonstrou com os seus jogos quando era menino.


Conclusão


Concluímos que através dos jogos as crianças desenvolvam um melhor relacionamento com outras crianças e com adultos e por meio dos jogos poderem interagir com o meio em que estão inseridas lhes proporcionando um autoconhecimento de si próprias tendo vista que essas descobertas as fascinam, pois um mundo novo é inserido e descoberto.





Autor/fonte:
ALMEIDA, Cássia Santos; LIMA, Tamiris; MENDONÇA, Paulo Marconi

Educação Física, Faculdade Integrada do Ceará







Referências Bibliográficas


BROUGÈRE, Gilles: A criança e a cultura lúdica; 19 de novembro de 1998 ARTIGOS; http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-25551998000200007&script=sci_arttext&tlng=en. GIOCA, Maria Inez: Monografia; O jogo e a aprendizagem na criança de 0 a 6 anos, Universidade da Amazônia, 2001 MARCHI, Wanderley Júnior: JOGO, ESPORTE E SOCIEDADE: considerações preliminares para uma análise correlacional  MARCONDES, Marina Machado: Brinquedo-sucata e a criança: a importância do brincar: atividades e materiais, Publicado por Edições Loyola, 2001.


 Nunes, Paulo de Almeida: Educação lúdica - o prazer de estudar técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Edições Loyola, 1998. SERAPIÃO; João de Aguiar: Educação Inclusiva: jogos para o ensino de conceitos; Publicado por Editora Papirus Ltda, 2004. GALLAHUE,David  L. Compreendendo o desenvolvimento motor de bebês,crianças,adolescentes e adultos, São Paulo- SP – Brasil, Ed. Phorte, 2005. MURCIA,Juan Antônio Moreno. Aprendizagem através dos jogos, Porto Alegre- RS –Brasil, Ed. Artmed, 2005. CATUNGA,Ricardo. Brincar,criar,vivenciar na escola, Rio de Janeiro- RJ - Brasil,Ed. Sprint, 2005.





Fonte: A Importância dos jogos para o desenvolvimento psicológico da criança 


http://www.joguinhosdemenino.com/blog-dos-meninos/a-importancia-dos-jogos-para-o-desenvolvimento-psicologico-da-crianca#ixzz2c4FJdx1S

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A Relação de Psicopedagogia com a Psicomotricidade: Aspectos Psicopedagógicos da Educação Infantil



 Imagem: Internet



EDUCAÇÃO PSICOMOTORA
A psicopedagogia como ciência tem se desenvolvido ao longo do século XIX, com vultos isolados ao longo da Europa, como Jacques Lacan, Maud Mannoni, Fraçoise Doito, Janine Mery, franceses, e na América do Sul com os argentinos, George Mauco, Pichón-Riviére, que procuraram sistematizar essa ciência tão nova para a humanidade.
A Psicopedagogia não nasceu aqui e nem tampouco na Argentina, investigando a literatura sobre o tema, podemos verificar que a preocupação com os problemas da aprendizagem teve origem na Europa, ainda no século XIX. Inicialmente, pensarem sobre o problema os filósofos, os médicos e os educadores. (BOSSA, 1992).
Como disciplina de ensino superior é vista como interdisciplinar, pois, possui multifacetas de várias disciplinas que se interligam de forma concreta.
A ciência psicopedagógica é tão nova que a Associação Brasileira de Psicopedagogia está lutando diante do Ministério da Educação para profissionalizar o psicopedagogo, que até hoje ainda, não possui um reconhecimento como profissional especializado na ciência pedagógica, assim como é o psicólogo e o pedagogo.
A tarefa nesse trabalho científico é mostrar parâmetros simétricos entre psicopedagogia e psicomotricidade, o que possui em comum, ou ainda o que uma ciência pode contribuir para a formação da outra.
Para entender essa relação entre psicopedagogia e psicomotricidade, será em primeiro lugar discutido os aspectos relevantes da psicomotricidade, para depois serem analisados os psicopedagógicos, para que, no final do trabalho seja feita uma relação mais apurada entre as duas disciplinas.
O indivíduo ao nascer, não começa já andando, precisa de algum tempo para fortalecer os seus músculos, equilibrar-se, enxergar perfeitamente todo o seu campo visual, ter noções de percepção, resposta, estímulo, enfim, ter aspectos cognoscíveis, para a sua educação motora.
Progride criteriosamente de uma forma motora, onde cada gesto, observação, movimento, tem um valor e significado dentro da Educação Psicomotora, onde, grande parte do seu desenvolvimento cognitivo, está ligada a psicomotricidade.
Pois bem, o que vem a ser então a Educação Psicomotora? É a ciência que vai estudar os fenômenos psicológicos e motores interligados a educação, pois, se o desenvolvimento motor, não for corretamente realizado, trará problemas futuros para criança e reflexos pelo resto de sua vida.
A palavra “Educação” é a parte da disciplina que se encarrega de tratar dos aspectos formais da inteligência humana, trabalhando, sobretudo de maneira pedagógica, para aturar no campo da aprendizagem do aprendente.
O prefixo “Psic” é a outra parte da disciplina que irá estabelecer parâmetros ligados a “mente”, ao funcionamento do cérebro e suas implicações psicológicas para a concretização da educação.
O sufixo “motor”, é o elemento imprescindível nessa disciplina, haja vista, ser ele o aspecto de maior relevância no objeto do estudo, haja vista, ser aquele ligado a parte do movimento, ação, dinâmica do corpo, que, está unido ou interligado aos outros dois, pois, cada palavra ou parte que compõe a disciplina estabelecem entre si uma relação de simbiose, para o seu perfeito aperfeiçoamento e funcionamento.
A Educação psicomotora é tão importante na vida da criança, que tanto os pais como a escola, devem se preocupar com esse ensino, pois, a formação do ser, poderá estar comprometida se não for acompanhado.
DESENVOLVIMENTO MOTOR
Como anteriormente foi falada na introdução a parte motora, está ligado ao movimento, entretanto, para que ele seja concebido, estabelecido precisa ser realizado de modo temporal, ou, seja há seu tempo.
Não adiante os pais, por exemplo, “querer que o seu filho ande antes dos dez meses de idade”, pois, isso poderá prejudicar o desenvolvimento motor dessa criança, por conseguinte, o seu crescimento de forma ordenado.
O desenvolvimento motor é um processo gradual, onde cada fase do crescimento exige um gesto ou movimento, para que se processe de modo psicológico na formação do ser.
A criança precisa de certos vínculos para que o seu desenvolvimento aconteça de forma compatível como:
a) maturação – irá se relacionar com os aspectos físicos e biológicos do corpo, pois, o crescimento do organismo, é feito de maneira muitas vezes parecida de indivíduo para indivíduo e já em outros casos de maneira análoga, por isso, não se deve acelerar o processo, pois, cada organismo reage de forma diferente entre si.
Em contraste com a psicopedagogia a maturação dependerá dos pais e da escola para fornecer elementos essenciais para o crescimento do corpo, como a amamentação da mãe a criança, a alimentação do dia, a merenda, todos, são compostos fundamentais para a maturação.
b) ambiente – o local fisco onde a criança vai utilizar para dormir, brincar, comer, viver, precisa ser “estimulante”, ou seja, repleto de símbolos e significados que pode decifrar com a sua inteligência, caso contrário, ficará uma parcela ausente de sua cognição, em virtude desse ambiente pobre de elementos importantes ao seu estímulo para o desenvolvimento motor.
A evolução das estruturas psicomotoras depende da tonicidade, equilibração,  imagem e esquema corporal, lateralidade, organização espacial-temporal,  coordenação motora geral coordenação motora fina.
A Tonicidade está ligada diretamente ao Tônus muscular, aos músculos, a a parte do apoio do corpo.
O Equilibro voltado para o controle da postura corporal.
A Imagem e o esquema corporal representam a própria percepção do corpo e dos corpos, e objetos que o cercam.
A Lateralidade como a representação do corpo por um lado, esquerdo ou direito, ou ainda ambos os lados, tendo a predominância por um desses lados quando os movimentos se iniciam, ou a perfeição da utilização dos dois lados.
Organização espacial-temporal é a tomada de consciência do seu corpo no espaço, seria a própria consciência de si mesmo, seu tamanho, posição, distância.
Coordenação motora geral compreende a junção de todos os movimentos gerais do corpo como um todo, a completa harmonia entre os movimentos.
Coordenação motora fina são os movimentos mais refinados, que compreendem alguns pequenos grupos de músculos, como, lingual, labial, ocular.
Todas essas estruturas acima citadas são componentes fundamentais para atuação do corpo no espaço, sendo a educação psicomotora responsável pelo estudo de cada atividade dessa separada.
O psicopedagogo é o profissional que entende que a criança precisa se desenvolver sua motricidade através do ambiente físico, descobrir os valores dos símbolos da cada componente desse espaço e o seu significado.
Segundo Assunção & Coelho (1997, p.108) a psicomotricidade é a “educação do movimento com atuação sobre o intelecto, numa relação entre pensamento e ação, englobando funções neurofisiológicas e psíquicas”.
Além disso, possui uma dupla finalidade: “assegurar o desenvolvimento funcional, tendo em conta as possibilidades da criança, e ajudar sua afetividade a se expandir e equilibrar-se, através do intercâmbio com o ambiente humano”.
A criança se desenvolve a partir da interação com os objetos, que ela inicialmente coloca na boca, depois, através do tato, cheiro, e só então saberá o que representa para si e para o mundo que o rodeia.
Talvez um pai não saiba que um “xiqueirinho” impõe limites no campo de articulação, movimentos da criança, pois, ao que parece, a criança necessita de espaço para se relacionar com o mundo, e campo vasto para se situar no espaço.
Segundo pesquisas realizadas em Nova Yorque (Reuters Health) demonstram que o andador pode atrasar o desenvolvimento das crianças engatinhar, ficar de pé, sozinha ou andar, conforme a citação da British Medical Journal, e também pelo fato de graves acidentes causados, pois, muitas crianças se lesionavam gravemente ao cair da escada com o andador
No ano passado a Academia Americana de Pediatria pediu proibição de andadores infantis nos Estados Unidos. No novo estudo, pesquisadores irlandeses entrevistaram os pais de 190 bebês que usavam andadores e estavam desenvolvendo capacidades motoras. Eles verificaram que 102 crianças que usavam o aparelho eram, como grupo mais lentas para começar a engatinhar, ficar de pé ou andar sozinha. Por exemplo, os bebês com os andadores ficaram em pé sozinhos aos 13 meses, em média, três a quatro semanas depois do que aqueles que não usavam o aparelho ( British Medical Journal, 2002).
c) ações neuromotoras – Relaciona-se com ação em conjunta da maturação e o ambiente, ou seja, são os “momentos vividos”, ações neuromotoras, que correspondem aos movimentos propriamente ditos, monitorados pelo cérebro, que são percebidos em primeira parte através dos “instintos” ou “reflexos”, haja vista, que a criança antes dos dois anos ainda não apresenta cognição, segundo Piaget.
Por isso, que o estímulo do ambiente é importante para formação motora desse indivíduo.
Um exemplo de como o desenvolvimento motor é importante, para a criança e suas implicações, que muitas vezes ações erradas, mesmo com intenção em ajudar ser tornam prejudiciais para o campo neuromotor.
Como por exemplo, uma mãe que compra um “andador”, para auxiliar na locomoção da criança, existe uma explicação para que esta atitude seja errada, tanto pela psicomotricidade quanto pela psicopedagogia, pois, os referidos objetos que são vendidos em lojas infantis, não apresentam nenhuma restrição quanto à sua utilização.
O andador não é recomendado pelas duas ciências, até aqui discutidas, pelo simples motivo, de não estimular o equilíbrio, a queda, que são estimulados através do cérebro, para os membros inferiores e superiores.
O cérebro por sua vez vai traduzir o perfeito equilíbrio e as sucessivas quedas, através das várias tentativas de ficar em pé ou cair para a criança, que está em formação motora.
O Cérebro Esquerdo é dominante no controle da fala e da linguagem; o Direito sobressai em tarefas visuomotoras” (GAZZANIGA, 2005, p. 9).
Quando a criança não é estimulada neuromotormente, como por exemplo, ao se valer do andador, para sua locomoção, restringe a ação do cérebro, contribuindo apenas para uma ação mecânica, com o andador, e não neural, que, por conseguinte, provavelmente acarretará prejuízo motor para a criança em formação.
A direção da escola, e, também o professor dentro da sala de aula, talvez não percebam que o aluno é um indivíduo em constante formação, que os aspectos motores são relevantes para o seu desenvolvimento, haja vista, que a criança encontra prazer no que lhe faz bem, e as atividades desportivas, brincadeiras, são ligadas diretamente a psicomotricidade.
A falta de atualização e valorização do corpo docente pode atrapalhar o bom desenvolvimento do seu aluno, pois, um professor desmotivado, é uma ponte para um aluno também.
Em virtude disso podem estar prejudicando o desenvolvimento motor dos seus alunos
Professores em escolas desestruturadas, sem apoio material e pedagógico, desqualificados pela sociedade, pelas famílias, pelos alunos não podem ocupar bem o lugar de quem ensina tornando o conhecimento desejável pelo aluno. É preciso que o professor competente e valorizado encontre o prazer de ensinar. A má qualidade do ensino provoca um desestímulo na busca do conhecimento (SAMPAIO, 2009 apud Weiss, 2003, p. 18).
O psicopedagogo pode auxiliar a criança ao perceber que esta apresenta problemas de aprendizagem, que pode estar relacionado com a sua parte motora, que por sua vez, pode ter sido alterada por um “trauma na infância”, pois, o “dia a dia”, vai forjar o seu futuro, ou ainda, a falta de afetividade por parte da família, pode implicar desvios psicomotores.
“A família, por sua vez, também é responsável pela aprendizagem da criança, já que os pais são os primeiros ensinantes e as atitudes destes diante das emergências de autoria do aprendente, se repetidas constantemente, irão determinar a modalidade de aprendizagem dos filhos (PORTO apud FERNANDEZ, 2001)”.
A criança pode ter timidez, agressividade, apatia, euforia, tristeza, alegria dependendo da ação neuromotor que tiver sido estimulada durante a sua infância.
Portanto a psicopedagogia e psicomotricidade possuem valores correspondentes na formação do indivíduo.
O CORPO
O corpo é a condição vital para a sobrevivência, sem ele estaríamos sem defesa, ataque, objetivos, sonhos, ideais.
É através dele que nos desenvolvemos nos percebemos e somos condicionados a viver no mundo.
A mente somente pode funciona, se, existir uma projeção de um corpo no espaço, e sobre esse espaço, ocupar lugar para poder sobreviver.
O corpo precisa ser descoberto, arranjado e ocupado no mundo, caso contrário, é apenas um composto de ossos e músculos sem finalidade para o kosmos.
Um dos motivos da falha nos movimentos está diretamente relacionado com a posição do corpo no espaço, ou seja, se uma pessoa não tem exatidão das dimensões e força de suas mãos como, por exemplo, poderá esmagar um “passarinho” ao pegá-lo.
Ou quem sabe outro exemplo, ao passar, por exemplo, por entre duas pessoas esbarra em uma delas, isso, significa que este elemento não possui uma exatidão das suas formas, ou pelo menos noção do que ela ocupa no espaço.
A psicopedagogia orienta que a formação do corpo precisa ser detalhada, observada, por conseguinte, cada indivíduo precisa conhecer o seu corpo, e para conhecê-lo precisa gostar dele.
Um pai ou uma mãe precisa ensinar o seu filho o valor do seu corpo, o que representa, e as responsabilidades desse corpo no espaço.
A formação familiar pode muito inibir ao conhecimento do corpo, pois, muitos “tabus” podem girar em torno desse corpo, haja vista, que em algumas famílias, pode representar a “morada de satanás”, ou “algo desprezível”, “gordo”, “franzino”…
Com essas informações indesejáveis, o “proprietário do corpo”, acaba por vez inibindo a vontade de conhecê-lo, que adianta, possivelmente poderá torná-lo desconhecido para si.
A psicomotricidade busca muitas formas de conhecer e explorar a ação do corpo, pois, se desenvolve fisicamente através deste e a importância vital que possui para a sobrevivência.
A percepção sinestésica diz respeito ao exato conhecimento desse corpo no espaço e da sua vitalidade para o mesmo, como por exemplo: podemos citar o caso de um cego de nascença ter exatamente noção de cada parte do seu corpo e dos objetos que o cerca, facilita desta forma a conexão com os mesmos, como encher um copo de água sem derramá-lo, caminhar no espaço sem se desequilibrar, são exemplos de como é importante o conhecimento do corpo para a sobrevivência.

A questão do corpo é tão importante que pessoas deixam de realizar diversos tipos de atividades em detrimento do corpo, ou porque não conhece os limites dele, como são em muitos casos exercícios aeróbicos, uma vez que tais indivíduos desconhecem o seu próprio corpo, possivelmente ficará receoso de executar exercícios dessa natureza.
Portanto o corpo é, base biológica, mental, social, e social sobre a qual se fundamentam as estruturas do eu e da sociedade.
Se o corpo não estiver funcionando bem, nada de progresso frente irá muito bem também.
SISTEMA PERCEPTIVO
A percepção compreende o processamento das informações transmitidas pelo sistema nervoso-sensorial desde os órgãos do sentido até o cérebro onde se processa para formar a percepção do mundo.
A percepção é a interpretação do mundo através do cérebro. Na ausência da percepção não haveria memória e não haveria aprendizagem.
Ela é tão importante que liga o mundo exterior com o interior, ou seja, decodifica as informações recebidas pelo mundo e passa traduzir de uma forma organizada.
O psicopedagogo ao trabalhar com crianças que possuem dificuldades em aprender, muitas vezes se depara com problemas associados a percepção, que tem muitas vezes ligações a sua própria infância de como ela foi acompanhada e significada para si, ou problemas de ensinagem por parte dos docentes.
Uma infância mal vivida, por exemplo, provavelmente trará problemas na percepção infantil, pois o simples fato do amamentar, já é um modo que a criança percebe o mundo.
Dificuldade de aprendizagem é termo geral que se refere a um grupo heterogêneo de desordens manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e utilização da compreensão auditiva , da fala, da leitura, da escrita e do raciocínio lógico matemático.
Tais desordens, consideradas intrínsecas ao indivíduo, podem ocorrer durante toda a vida.
As dificuldades de aprendizagem podem estar associadas a problemas de auto-regulação do comportamento, da percepção social e interação social, deficiência sensorial ou deficiência mental, embora não seja o resultado dessas condições.
A psicopedagogia precisa ter um olhar mais clínico quanto aos aspectos da percepção infantil, pois, as dificuldades em aprender podem partir principalmente desse prisma, e, às vezes fica se fazendo um rodeio quanto ao problema, mandado a criança se tratar com psicólogo, “tirar um eletro”, sendo que a solução pode estar bem próximo, como é o caso do estudo apurado dos problemas ligados a percepção.
O psicopedagogo precisa se relacionar com a criança, entendê-la, senti-la, compreendê-la, só então entenderá o que se passa com ela.
Se é preciso fazer falar a criança, é porque ela nos escapa e não nos revela o que ela é. Ora, numa pesquisa, não se pode partir do nada. Se a experiência é aqui o que a própria criança revela, então é uma experiência demasiadamente pobre para o psicólogo se contente com ela e possa simplesmente iniciar, com proveito, a sua pesquisa. Pois , “em psicologia como em física, não existem “fatos” puros, se entende por “fato” um fenômeno apresentado ao espírito pela própria natureza, independente das hipóteses que permitiram interrogá-la, dos princípios que regulam a interpretação da experiência e do contexto sistemático de proposições anteriores no qual o observador insere, por meio de espécie de preligação, toda a verificação nova” (PIAGET, ob. cit., pág XXXII).
REFERÊNCIAS
BOSSA, Nádia. A psicopedagogia no Brasil, Porto Alegre. Artes Médicas, 1994.
COSTA, Samuel. Psicologia e Cristianismo, Rio de Janeiro, SILVACOSTA, 2006.
FREIRE, Serrano, Sou Professor: trabalhando a auto-estima e a motivação no magistério. 4 ed. Rio de Janeiro: Wak, 2008.
LEIF, Joseph, Psicologia e Educação: tomo primeiro a criança. Rio de Janeiro, Livraria Freitas Bastos S.1965.
MOREIRA, Paulo Roberto, Psicologia da Educação. 2 ed. São Paulo: FTD, 1996.
FREIRE, Paulo, Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à Prática Educativa.7 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
PORTO, Olívia. Psicopedagogia Institucional: teoria, prática e assessoramento psicopedagógico. Rio de Janeiro, WAK, 2006.
SAMPAIO, Simaia, Dificuldades de Aprendizagem: A psicopedagogia na relação sujeito, família e escola. 1 ed. Rio de Janeiro: Wak, 2009.


Autor: Hilton Andrade dos Santos
Pós graduando em Psicopedagogia pela UNIABEU. Bacharel em Teologia pela FAECAD. Tecnólogo em Ciências Militares e Graduado Especializado em Perícia Criminal Militar formado no 1º BPE. Instrutor do Curso de Perícia Criminal e Investigador. Professor de Teologia pelo IBADERJ.